31 de agosto de 2020

Provas corrigidas por robôs e 20 mil alunos por semestre: ‘Conversa’ acolhe denúncias sobre precarização no ensino à distância

Pedro Bial recebe os professores Janguiê Diniz, empreendedor educacional, e Celso Napolitano, presidente da Federação dos Professores do Estado de São Paulo

Assista o programa completo aqui: https://globoplay.globo.com/v/8821184

Em caráter de urgência, a educação teve de se reinventar por conta da pandemia de coronavírus. O ensino universitário à distância, modalidade que em 2019 já superou os cursos presenciais com 52% do total de matriculados, ganhou ainda mais força.

Para falar tanto sobre os possíveis benefícios do EAD quanto sobre suas contradições e desafios, professores expõem suas demandas e suas denúncias no Conversa com Bial de segunda, 31/8. O programa recebe o empreendedor educacional Janguiê Diniz e o professor e presidente da Federação dos Professores do Estado de SP, Celso Napolitano, além de contar com depoimentos de docentes em um minidocumentário.

Clique na imagem para assistir ao programa: Celso Napolitano e Janguiê Diniz conversam com Pedro Bial — Foto: Reprodução/TV Globo

Na definição de Bial, a trajetória de Janguiê já é uma aula: ele saiu da pobreza para se tornar um dos maiores empreendedores em educação do país. Apesar de ser de uma família de agricultores que não teve oportunidade de estudar, foi através da educação que transformou seus sonhos em projeto de vida. Hoje, é dono do maior grupo educacional do norte e nordeste e está na lista da Forbes como um dos mais ricos do mundo.

Ele conta que a pandemia acelerou o treinamento dos professores e a administração das aulas online e reforçou que, sem essa rápida adaptação, a evasão seria maior. Além disso, defendeu a modernização do ensino:

“O mundo já está digital e os professores ainda estão analógicos.”

Janguiê Diniz, empreendedor educacional, fala sobre EAD — Foto: Reprodução/TV Globo

Entretanto, para Celso Napolitano Covid-19 serviu como justificativa para empresas acelerarem um processo que deveria ser feito em um espaço maior de tempo. Criticou a falta de prazo para a readequação, em alguns casos inferior a uma semana, e o pouco caso com as dificuldades dos professores em transformar suas casas em estúdios. O presidente da Federação dos Professores do Estado de SP também denunciou as demissões substituição de docentes bem remunerados por tutores ou professores com salários mais baixos.

“Os educadores estão sendo substituídos por empreendedores, por fundos de investimento que não têm comprometimento com a qualidade de ensino.”

Celso Napolitano, presidente da Federação dos Professores do Estado de São Paulo, fala sobre contradições e desafios — Foto: Reprodução/TV Globo

 

Eles também lamentam que robôs e algoritmos estejam corrigindo provas, até mesmo as dissertativas (denúncia que já foi apurada pela Agência Pública). Eles contam, ainda, que a orientação é não informar os estudantes de que a correção está sendo feita de tal forma.

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