Fepesp - Federação dos Professores do Estado de São Paulo

quarta-feira, 22 de junho de 2022

Por Beth Gaspar em 22 de junho de 2022

22/06 - Preso ex-ministro Milton Ribeiro, operação da PF investiga pastores com acesso ao MEC, balcão de negócios no ministério, e mais: ‘Só governos totalitários defendem que professor seja neutro’

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Ensino superior privado é destaque no noticiário econômico – os negócios na Educação tomam a dianteira, deixando a qualidade do ensino de lado. Leia aqui: https://bit.ly/3wlWKFK

 

 

 

PF faz operação no Ministério da Educação e ex-ministro Milton Ribeiro é um dos presos
Valor Econômico; 22/06
http://glo.bo/3y9KiJW
Folha de S. Paulo; 22/06
https://bit.ly/3HHpSeq

A PF realiza na manhã desta quarta-feira (22) uma operação contra o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e pastores suspeitos de operar uma balcão de negócios no Ministério da Educação e na liberação de verbas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).

Ribeiro e ao menos um dos pastores, Gilmar Santos, já foram presos. A PF também cumpre mandados de busca e apreensão em endereços de Ribeiro e dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos —esses dois últimos são ligados ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e apontados como lobistas que atuavam no MEC. A ação foi batizada de Acesso Pago.

 

Operação feita pela Polícia Federal tem como objetivo investigar balcão de negócios no Ministério da Educação
Metrópoles; 22/06
https://bit.ly/3tU3JDZ

Segundo apurou a coluna com fontes da PF e do Palácio do Planalto, Ribeiro foi preso no início da manhã em sua casa na cidade de Santos, no litoral paulista. A expectativa é de que ele seja transferido para Brasília ainda nesta quarta.

A prisão foi determinada pelo juiz federal Renato Borelli. No mandado de prisão, ao qual a coluna teve acesso, o magistrado elenca ao menos quatro crimes que teriam sido cometidos por Ribeiro: corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência.

 

Corrupção no MEC
Veja; 22/06
https://bit.ly/3tU3JDZ

São cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão nos estados de Goiás, São Paulo, Pará e Distrito Federal, além de medidas cautelares diversas.

“A investigação iniciou-se com a autorização do STF em razão do foro privilegiado de um dos investigados. Com base em documentos, depoimentos e Relatório Final da Investigação Preliminar

Sumária da Controladoria-Geral da União reunidos no inquérito policial, foram identificados possíveis indícios de prática criminosa para a liberação das verbas públicas”, diz a PF.

 

UERJ realiza debate em seminário virtual sobre importância dos sindicatos
Rádio Peão Brasil; 21/06
https://bit.ly/3bdCXQB

o crescimento da terceirização, da informalidade, do desemprego e das diferentes formas de contratações de trabalho, acabam afastando os trabalhadores dos sindicatos. Apesar da precarização da mão de obra enfraquecer o poder de mobilização e a resistência das entidades de classe, os sindicatos não estão fadados ao desaparecimento.

Mesmo passando por dificuldades, os sindicatos são considerados peças-chaves na luta contra a exploração do trabalho. Os sindicatos são uma forma que se transforma e, nesse sentido, embora as suas origens estejam ligadas ao processo de assalariamento e a sua identidade ser associada a classe operária, as entidades se expandiram para outros setores e incorporaram trabalhadores de todos os tipos de contrato, resumiu a pesquisadora da Unicamp Andréia Galvão.

Andréia Galvão revelou também que a pulverização dos trabalhadores em categorias profissionais diferentes acarreta vários problemas para estrutura sindical. Hoje, os sindicatos tentam atrair os trabalhadores através da prestação de serviços, que é uma marca do sindicalismo brasileiro. Mesmo com todos os ataques ao movimento sindical, a pesquisadora frisou que pesquisas mostram que a conscientização de direitos por parte dos trabalhadores aumentou depois da pandemia.

 

POLÍTICA EDUCACIONAL

Senado: Educação básica passa a incluir capacitação para a leitura
Agência Senado; 21/06
https://bit.ly/3biUNS6

Aprovada a proposta (PL 5.108/2019) que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9.394/1996) para garantir a alfabetização plena e a competência em leitura ao longo da educação básica. O relator do projeto, que segue para sanção presidencial, senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), ressalta que as medidas são fundamentais para uma escolarização satisfatória, que proporcione condições de o cidadão progredir e dominar saberes de outras áreas.


Universidade do Rio suspende aula após ameaças na internet
UOL; 21/06
https://bit.ly/3OnQNya

A Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) suspendeu as aulas desta segunda (20) e terça (21) de seus dois campi no bairro da Urca, na zona sul da capital fluminense. A decisão foi tomada devido a postagens com ameaças feitas na internet por um suposto aluno da instituição.

A polícia foi acionada para apurar o caso. Nos outros campi, as aulas e atividades continuam normalmente. De acordo com a reitoria, os alunos devem retornar aos campi fechados nesta quarta (22). ​

 

SAÚDE

Escolas de São Paulo deixam de suspender aula em razão de casos de Covid
Folha de S. Paulo; 21/06
https://bit.ly/3xJlLKk

Diante da alta de casos de Covid-19 na cidade e de dezenas de casos de escolas que suspenderam as aulas presenciais, a Prefeitura de São Paulo publicou nesta terça-feira (21) portaria dizendo que não recomenda mais o afastamento de todos os alunos de uma sala ou unidade mesmo após confirmação de caso de Covid.

Segundo o texto, publicado pelas Secretarias Municipais da Saúde e da Educação, as escolas não devem afastar os alunos ou funcionários sem sintomas, ainda que tenham tido contato com alguém com suspeita ou confirmação de infecção.

 

 

 

Só governos totalitários defendem que professor seja neutro, diz educador espanhol
UOL, 19/06
https://bit.ly/3y7vifI

Para Jaume Trilla, da Universidade de Barcelona, docente não pode aceitar posturas que desrespeitem os direitos humanos.

Em 1992, Jaume Trilla, 70, professor catedrático da Faculdade de Pedagogia da Universidade de Barcelona, publicou o livro "El Profesor y los Valores Controvertidos" (o professor e os valores Controversos, em tradução livre). Agora, 30 anos depois, avalia que a ascensão de grupos conservadores, impulsionados pelas redes sociais, tornou essa relação ainda mais sensível e prejudicial para a educação.

No Brasil, com o aumento da polarização política, a lista de assuntos que podem ser considerados controversos em sala de aula só cresce. Professores relatam apreensão ao abordar questões de política, educação sexual, meio ambiente e até vacina sob o risco de serem acusados de doutrinação.

A convite do Centro de Formação da Vila, do grupo Bahema, Trilla deu uma palestra no último dia 11 para professores da educação básica. Na conversa, o educador disse ser papel da escola e dos professores defender com beligerância os valores democráticos. Portanto, não podem ser neutros ou evitar atuar em defesa dos direitos humanos nas atividades pedagógicas.

Para ele, o fato de as ideias e teorias de Freire voltarem a sofrer tentativas de censura —o presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que queria expurgá-lo das escolas brasileiras— são sinais de que o sistema democrático do país voltou a correr riscos.

Nos últimos anos, o Brasil tem vivido a ascensão de grupos que estimulam a vigilância e punição a professores que não têm um posicionamento considerado neutro em sala de aula. A neutralidade na educação é possível?

A neutralidade absoluta é impossível. Mas a questão principal é: a neutralidade dos professores é desejável?

A minha posição é de que há determinadas situações em que os professores devem procurar atuar da forma mais neutra possível e há outras em que não podem ser neutros.

Para questões políticas e morais socialmente controversas, por exemplo como o aborto, é importante que se busque ser o mais neutro possível. O professor tem suas opiniões, crenças e convicções. Ainda que possa explicitá-las em sala de aula, deve deixar claro que se trata de um posicionamento pessoal, deve apresentar argumentos divergentes dos seus e respeitar a opinião divergente dos alunos.

Mas há questões sobre as quais a atuação do professor não pode ser neutra, que são aquelas que se referem aos princípios fundamentais de uma sociedade democrática. Nas situações em que esses princípios são feridos ou estão em risco, a atuação de nenhum cidadão pode ser neutra.

Em uma escola democrática, em um país democrático, o professor não pode aceitar que sejam defendidas posturas que desrespeitem os direitos humanos, por exemplo, posições racistas, machistas, contra alguma religião, identidade sexual etc.

Já houve casos no Brasil em que professores foram acusados de doutrinação, por exemplo, por tratar sobre feminismo e violência de gênero em sala de aula. O próprio governo federal tentou suprimir questões que tratassem desses temas no Enem por considerá-las ideológicas.

Todos os valores que são defendidos por um sistema político democrático, como os direitos humanos, devem ser encarnados pelas escolas e professores. É claro que essa minha posição só é válida dentro de uma democracia.

Em um estado totalitário, o que eu estou dizendo não serviria para nada, porque esses valores não são defendidos. Por isso, só governos totalitários defendem a neutralidade absoluta de professores nessas questões.

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