Federação dos Professores do Estado de São Paulo, 28 de fevereiro de 2024

16 de dezembro de 2022

16/12 – A escolha de Camilo Santana como ministro no MEC, o arquivamento do processo de venda de vagas na Universidade Brasil, governo esvazia CNE para autorizar faculdades privadas, e mais: Extra Classe explica quem é o complexo eleitorado evangélico

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Professoras e professores nas escolas particulares tem direito ao recesso conquistado em campanha salarial. Saiba mais neste conjunto de perguntas e respostas:   https://bit.ly/3W5poVR

 

 

 

 

TRANSIÇÃO

Após conversa com Lula, Camilo Santana assume dianteira para Educação – Após a conversa com Lula, o nome de Camilo cresceu na bolsa de apostas para o Ministério da Educação.

Camilo foi eleito ao Senado Federal para os próximos oito anos e havia uma pré-disposição do governo de transição de evitar a promoção de senadores para ministro para impedir o esvaziamento da futura base aliada na Casa Legislativa. O ex-governador cearense disputa a indicação para a pasta com a atual governadora do Ceará, Izolda Cela, que é afilhada política dele.

Expectativa é de que o próximo anúncio ministerial inclua Nísia Trindade para Saúde e o procurador da Fazenda Nacional Jorge Rodrigo Araújo Messias para a AGU (Advocacia-Geral da União). Com a expectativa de escolha de Camilo, Izolda deve ser nomeada como secretária de educação básica do Ministério da Educação. CNN 15/12 https://bit.ly/3V70fZA

 

 

Em carta, entidades da Educação rechaçam ideia de ‘divisão’ do MEC Um grupo de entidades ligadas à educação assinam uma carta se manifestando contra uma possível divisão do Ministério da Educação durante o governo Lula (PT).

A carta é assinada por mais de 30 entidades, entre elas a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, os movimentos estudantis UNE e UBES, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e a Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Educação (Anped). Carta Capital 15/12 https://bit.ly/3hAMiW3

 

 

MEC cria instância para rever autorizações de faculdades privadas; transição quer revogar A quinze dias do fim do governo Jair Bolsonaro (PL), o Ministério da Educação criou uma nova instância com o poder de revisar processos de credenciamento de instituições e cursos superiores privados. Integrantes do gabinete de transição do presidente eleito Luiz Inácio da Silva (PT) já dão como certa sua revogação.

O ato teria potencial de enfraquecer eventuais pareceres do CNE (Conselho Nacional de Educação) contra interesses do setor privado, segundo avaliação de servidores ouvidos pela Folha. Dentro do grupo de transição a decisão foi vista como um esvaziamento do CNE. Folha de São Paulo 15/12 https://bit.ly/3UWPitG

 

PEC da Transição prevê R$ 12 bilhões para a educação, diz Alckmin O vice-presidente eleito Geraldo Alckmin defendeu nesta quinta-feira (15), em Brasília, que o governo federal atue de forma coordenada com estados e municípios para ampliar os investimentos e melhorar a qualidade da educação no país, especialmente o Ensino Básico. A declaração foi dada durante reunião do Pacto pela Aprendizagem, evento organizado pela organização não-governamental Todos pela Educação em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em um hotel da capital federal. O encontro também teve a participação de diversos governadores estaduais, incluindo governadores eleitos este ano. Agência Brasil 15/12 https://bit.ly/3PwFIwl

 

 

ESTADO

Para evitar falta de professores, deputados de SP aprovam prorrogação de contratos temporários – Para evitar que as escolas estaduais paulistas enfrentem mais uma vez a falta de professores, a Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) aprovou a prorrogação por mais um ano dos contratos de docentes temporários da rede.

Cerca de 40 mil contratos temporários venceriam em dezembro deste ano. A prorrogação foi aprovada nesta quarta-feira (14), em sessão extraordinária. São Paulo está há nove anos sem concurso público para professores.  Folha de S. Paulo 15/12 https://bit.ly/3PvEl10

 


Sorocaba: homem de 22 anos invade escola, faz refém e fere duas professoras a facadas no interior de SP – Um ex-estudante de 22 anos invadiu uma escola estadual e feriu com golpes de faca duas professoras na noite desta quarta-feira, 14, em Ipaussu, no interior de São Paulo. O agressor fez outro professor refém, colocou a faca em seu pescoço e resistiu à abordagem da polícia, mas acabou se entregando. Estadão 15/12  https://bit.ly/3FWyVsD

 

 

SAÚDE

Inclusão de Burnout como doença do trabalho pode garantir benefícios previdenciários a professores – No próximo dia 1º de janeiro completará um ano de inclusão da Síndrome de Burnout no rol de doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS). Conforme a International Stress Management (ISMA) – entidade presente em 12 países, incluindo o Brasil, voltada à prevenção de doenças ligadas ao estresse –, 72% dos trabalhadores brasileiros têm diagnóstico de estresse e 32%, de Burnout. Nesse contexto, o enquadramento da Síndrome de Burnout na CID – 11 como doença ocupacional pode garantir benefício junto à Previdência Social.

Para Fernando Negri Fracasso, que integra a equipe de psiquiatras do Instituto Abuchaim, em Porto Alegre, os professores foram os que mais sofreram com a pandemia, quando as exigências triplicaram, extrapolando as jornadas diárias, em uma espécie de “borramento entre o horário de trabalho e o horário de descanso”, contextualiza. Extra Classe 15/12  https://bit.ly/3FWydeV

 

Pandemia: uma criança morre por dia de covid-19 no Brasil em 2022 – Uma criança de até 5 anos morre por dia de covid-19 no Brasil. Entre os dias 1° de janeiro e 11 de outubro, foram 314 vítimas nessa faixa etária. Os dados são do Observatório da Infância da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/Unifase). Os mais jovens estão entre os menos vacinados contra o vírus. Por isso, especialistas colocam as crianças hoje como um dos principais grupos de risco de morte. Contudo, o governo Bolsonaro segue dificultando a imunização infantil em massa.

De acordo com o Vacinômetro Covid-19 do Ministério da Saúde, apenas sete em cada 100 crianças entre 3 e 4 anos estavam totalmente imunizadas com duas doses em novembro. Rede Brasil Atual 15/12  https://bit.ly/3W3IyLU

 

 

O NEGÓCIO DA EDUCAÇÃO

Juiz manda arquivar processo por venda de vagas em curso de medicina – O juiz Federal Roberto Lima Campelo, da 1ª vara Federal de Jales/SP, determinou a extinção de processos que apuravam suposta venda de vagas em curso de medicina da Universidade Brasil. O magistrado considerou nulas as interceptações telefônicas que embasaram as acusações, uma vez que elas tiveram como fundamento prints de conversas de WhatsApp.

A decisão acatou pedido da defesa do fundador e principal acionista da universidade, Fernando Costa, que pedia a nulidade de todas as provas da operação, em razão de diversas irregularidades cometidas pelas autoridades investigativas. Ao analisar o pedido, o magistrado destacou que os prints de Whatsapp são provas inválidas porque não se pode confirmar ou infirmar sua autenticidade.  Migalhas 14/12  https://bit.ly/3WFgXkf

 

Para lembrar o caso: Delatora diz que vaga no Fies custava R$ 100 mil – Uma ex-diretora da Universidade Brasil, de Fernandópolis (SP), disse à Polícia Federal que alunos pagavam até R$ 80 mil por uma vaga na faculdade de Medicina, e R$ 100 mil quando se incluía o Financiamento Estudantil (Fies). A revelação foi feita por Juliana da Costa e Silva em delação da Operação Vagatomia.

A Universidade Brasil entrou na mira da PF em setembro de 2021 por venda de vagas no curso, irregularidades no exame de revalidação de diplomas e fraudes no Fies estimadas em até R$ 500 milhões. José Fernando Pinto da Costa, dono da universidade, e seu filho chegaram a ser presos na ocasião. Juliana era responsável pelo projeto pedagógico dos cursos da área da Saúde e afirmou que os funcionários Adeli de Oliveira e Rosival Mateus Molina “encabeçavam” a captação de alunos que buscavam transferência de curso. A prática seria uma forma de potencializar os lucros da universidade. Correio Braziliense 03/01  https://bit.ly/3HE3HYL

 

 

Quem é o diverso e complexo eleitorado evangélico
Extra Classe, 14/12
https://bit.ly/3BGhEBL

Subdivididos em diversas igrejas, representavam apenas 9% da população no início dos anos 1990; passaram para 15,6% no começo dos anos 2000 e, agora, ultrapassam de um terço da população

Não é de agora que o crescente eleitorado evangélico é disputado por partidos e candidatos, sejam em pleitos municipais, estaduais ou federais. Se, no começo do século, quando representavam 15% da população já definiam eleições, hoje os evangélicos representam um terço dos brasileiros.

Que as estatísticas oficiais do Brasil estão defasadas, não é novidade. No entanto, enquanto não saem os números do Censo nacional promovido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), prognósticos extraoficiais dão conta de algo que é visto a olho nu: o movimento evangélico no país não para de crescer.

Os evangélicos, que se subdividem em diversas igrejas, representavam apenas 9% da população no início dos anos 1990; passaram para 15,6% no começo dos anos 2000 e, agora, no mínimo, segundo o Datafolha, passam de um terço da população.

Diante disso, nenhuma discussão séria sobre o país deve desconsiderar esse crescimento.

Para o doutor em Sociologia e pesquisador do Instituto de Estudos da Religião (Iser), o pastor batista Clemir Fernandes, o perfil do evangélico no Brasil é quase impossível de se identificar. “Primeiro, porque ele está em todas as classes sociais hoje”, pondera.

Do ponto de vista da racialidade, aponta haver “uma ampla maioria de evangélicos negros nas igrejas pentecostais”.

Inclusive, diz Clemir, estudos aventam a possibilidade de existir percentualmente maior número de negros no evangelismo do que nas próprias religiões de matriz africana.

Do ponto de vista político, em 2018, José Eustáquio Diniz Alves, doutor em Demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence/IBGE), afirmava que os resultados eleitorais não tinham deixado dúvida naquele ano em “que Jair Bolsonaro foi eleito, fundamentalmente, com o voto evangélico, quando se considera a variável religião”.

Expoentes do segundo pentecostalismo, aponta o pesquisador do Iser, surgem nos anos 1960. Entre elas, estão Deus é Amor e Igreja do Evangelho Quadrangular.

Já o neopentecostalismo começa a proliferar nas décadas de 1970 e 1980, quando entram em cena igrejas como a Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Renascer em Cristo, Igreja Mundial do Poder de Deus e, com ela, a chamada Teologia da Prosperidade.

“Não é o pentecostalismo clássico que tinha a ênfase de falar em línguas e na crença das curas divinas, mas que tem ênfase na utilização dos meios de comunicação de massas, rádio, TVs”, esclarece Clemir. Interessante que nesse histórico das igrejas evangélicas no Brasil, como se vê na “galera” do pastor Gibran, uma espécie de sincretismo também começa a acontecer. “Eu sei que é difícil, mas nunca dá para colocar em chaves fechadas. Hoje vai se encontrar muitas igrejas do protestantismo histórico influenciadas pela Teologia da Libertação católica e vai encontrar igrejas neopentecostais que se tornam neocalvinistas, que abrem mão e criticam a teologia da prosperidade. O mundo evangélico é muito complicado de se entender a olho nu”, ri.

Números que impressionam – Devido aos adiamentos promovidos pelo governo Bolsonaro na realização do Censo nacional, o Iser considera que uma pesquisa do Instituto Datafolha, publicada em 2020, é – por enquanto – a fonte mais qualificada e recente para se avaliar o quadro atual das religiões no Brasil.

Se nos dados defasados do IBGE, em 2010, os evangélicos representavam 22,89% da população brasileira, o estudo do Datafolha apontou um índice estimado de 31%.

Levando em consideração a margem de erro de 2% para mais ou para menos, os dados coletados em 2019 não descartam um crescimento de 10 pontos percentuais.

Para se ter uma ideia desse movimento que apresenta um significativo crescimento no país – a ponto de ser visto como fator de decisão em vários pleitos nacionais –, a população evangélica teve um aumento estimado de 49% entre os anos de 2010 e 2019.

Quase que dobrando em nove anos, os evangélicos, dentro das estimativas atuais, tiveram entre si um acréscimo que praticamente representa 10% de toda a população brasileira prognosticada em 2019.

Foi um salto de 21,5 milhões de pessoas, diante dos dados do IBGE de 2010. Na ocasião, os números consolidados do Censo registravam 43,6 milhões de evangélicos no país.

Frente à hipótese apontada de 65,1 milhões de indivíduos dessa vertente do cristianismo em uma população brasileira estimada em 210,1 milhões, são números que impressionam.

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