Federação dos Professores do Estado de São Paulo, 27 de fevereiro de 2024

21 de março de 2022

21/03 – Faculdades combinam aulas online e presenciais e alunos reclamam, a uberização de docentes, pedalada sanitária libera máscaras, e mais: ‘febeapá’, o festival da besteira, continua firme e forte

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Alunos de universidades privadas relatam falta de funcionários, aulas práticas por vídeo e mensalidades mais caras no ensino híbrido
O Globo; 19/03
http://glo.bo/3N9wrZy

Instituições privadas de ensino superior têm adotado um modelo híbrido de ensino mesmo para aqueles universitários matriculados em cursos presenciais. Em tese, aulas teóricas são feitas de forma online e aulas práticas, presencialmente. No dia-a-dia, porém, estudantes têm relatado problemas causados pelo novo modelo como salas superlotadas, falta de funcionários administrativos, demissão de professores, matérias práticas que são feitas à distância e até mensalidades mais caras.

Alunos ouvidos pelo GLOBO nos últimos dias relatam que, como o ensino online permite que mais estudantes assistam as aulas, já que não há um limite físico para a presença de alunos, as universidades acabaram inchando os cursos. Quando os estudantes precisam ir para as aulas práticas, então, as salas ficam superlotadas, o que prejudica a aprendizagem, já que não é possível esclarecer dúvidas com os professores. Além disso, por falta de professores, uma mesma sala recebe alunos de diferentes períodos.

Em uma unidade da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, vídeos publicados nas redes sociais mostram alunos assistindo a uma aula em pé e sentados no chão, pois não havia carteiras suficientes para todos.

Na Universidade São Judas Tadeu, também em São Paulo, estudantes relataram que houve exclusão de diversas matérias da grade de ensino, que agora são oferecidas como cursos extracurriculares, e que devem ser pagos à parte.  Uma estudante do nono semestre do curso de Direito da universidade relatou que “a mensalidade só aumenta” com a inclusão desses cursos à parte.

 

Na contramão mundial, Brasil reduz diplomados em áreas estratégicas
Folha de S. Paulo; 17/03
https://bit.ly/3trgtCf

a contramão da tendência mundial, o número de diplomados por universidades brasileiras em boa parte das áreas conhecidas como STEM (Ciências, Engenharia, Matemática e Computação) caiu ao longo de uma década. De 67 mil formados nessa área em 2009, o número despencou para 60 mil em 2019.

Esses campos são estratégicos tanto para o mercado de trabalho quanto para inovações científicas, e a queda do número de especializados prejudica ainda mais o país na corrida pela economia do futuro.

 

Aumento da uberização da educação fragiliza professores e professoras
CUT; 17/03
https://bit.ly/3KVwaYi

Segundo a pedagoga Adércia Hostin, do Fórum Nacional de Educação (FNPE), são diversos os tipos de contratação enquadrados nos moldes de afrouxamento das garantias trabalhistas, mas a mais crescente, e que tem se alastrado pelo Brasil, é mesmo a que faz referência ao aplicativo de transporte. É ela quem afirma que “na educação, não foi diferente”.

“A questão é que, em meio ao turbilhão, muitos professores ainda não se deram conta das consequências dessa prova de fogo – fazer com que o trabalho remoto seja aceito a qualquer preço”, alerta a pedagoga.

O trabalho no aplicativo cria a falsa sensação de que o trabalhador está inserido no mercado. Mas, na verdade, é ele o responsável pelo produto que vai vender e pelo serviço que vai prestar.

 

FARRA NA ESCOLA

Aluno suspenso por levar melancia a colégio e causar baderna e sujeira grava vídeo e se desculpa por ‘brincadeira de mau gosto’ em SP
G1; 20/03
http://glo.bo/36tplhL

O aluno que foi suspenso por levar na quarta-feira (16) uma melancia ao Colégio Fereguetti onde estuda da Zona Leste de São Paulo , e promover com seus colegas baderna e sujeira ao comerem a fruta, gravou um vídeo ao lado da mãe para pedir desculpas pela “brincadeira de mau gosto” depois que o caso viralizou nas redes sociais (veja acima).

“Foi uma brincadeira de muito mau gosto. Não queria prejudicar ninguém. A gente só queria fazer uma brincadeira comendo uma melancia e eu queria dividir, mas com isso… tomou a suspensão”, diz o aluno no vídeo postado no sábado (19) na página do próprio Colégio Fereguetti, no Instagram, com a frase “Esclarecimento da família”.

O adolescente que aparece ao lado da mãe, ambos usando máscaras, tem 17 anos de idade e estuda há 14 anos no colégio particular do bairro da Penha. Atualmente está no terceiro ano do ensino médio. Na gravação, ele conta que “teve gente que colocou a melancia na cabeça, fez de basquete, jogaram na pia, danificaram o banheiro, com ralo”, o que “causou prejuízo também para a escola”.

 

Professor e alunos levam churrasqueira e queimam máscaras em escola na Zona Sul de SP após fim da obrigatoriedade
G1; 19/03
http://glo.bo/3KZKhMq

Um professor de uma escola estadual na Zona Sul de São Paulo levou, na sexta-feira (18), uma churrasqueira para a sala de aula para queimar as máscaras contra a disseminação da Covid, que deixaram de ser obrigatórias no estado na última quinta-feira (17).

Um estudante da Escola Estadual Francisco de Paula Vicente de Azevedo, no Jardim Ângela, registrou com entusiasmo o momento em que o professor incendiou a primeira máscara e a jogou junto às demais na churrasqueira portátil. A gravação tem cerca de dois minutos.

O sindicato dos professores do estado (Apeoesp) divulgou uma nota repudiando a atitude do professor. A entidade afirmou que as crianças foram incentivadas a queimar as máscaras.

 

REFORMA DO ENSINO MÉDIO

Novo Ensino Médio impactará do ensino fundamental ao superior
Exame; 18/03
https://bit.ly/36duJWw

“O novo Ensino Médio traz uma proposta que muda a estrutura e isso vai mexer em algo fundamental que é a formação do professor. Esse é um dos grandes desafios que a gente tem, porque grande parte dos professores tem na Universidade um tipo de aula e eles reproduzem quando vão dar aula”, afirma Pedro de Moraes, superintendente pedagógico da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro.

Para Marcelo Xavier, diretor de Ensino da Inspira Rede de Educadores, esse movimento é natural e inevitável. “Nós estamos mudando o Ensino Médio com professores que não foram preparados para o Novo Ensino Médio. Mas essa mudança só iria acontecer nessa sequência, pois se a gente tivesse que esperar o Ensino Superior mudar para depois mudar o Ensino Médio, isso não aconteceria. Essa pressão tinha que vir das bases, que são os alunos evadindo das escolas”, afirma.

 

CULTURA

Inspirado em Paulo Freire, teatro comunitário traz histórias da periferia
Rede Brasil Atual; 20/03
https://bit.ly/3JrF7Z9

Inspirados no educador Paulo Freire, os integrantes do Grupo Pombas Urbanas estreiam na próxima semana o espetáculo Florilégio, na sede do coletivo, em Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo. Além de sessões presenciais, gratuitas, haverá apresentações on-line, com a presença de outros grupos teatrais. “O teatro comunitário é espaço de memórias coletivas”, dizem os integrantes.

“Buscamos encontrar aquilo que se constrói em sociedade e na coletividade no agora, a fim de questionar do que temos que nos desprender para estar em coletivo, em comunidade, e assim lidar e avançar sobre tantas angústias sentidas e vividas diariamente”, afirmam os componentes do Pombas Urbanas, criado em 1989. “Não estamos sozinhos, esperançar, libertar-se é uma ação conjunta.”

 

CORONAVÍRUS

Pedalada sanitária: é hora de suspender o uso de máscara?
Rede Brasil Atual; 17/03
https://bit.ly/3ueHmZl

Por Alexandre Padilha: “Como médico infectologista e professor universitário que atende pacientes e supervisiona o atendimento dos meus alunos em Unidades Básicas de Saúde (UBS) da periferia de São Paulo e Campinas, afirmo: ainda não é momento de suspender o uso de máscara. O mais importante princípio na área da saúde é a precaução.

Alguns estados do país flexibilizaram o uso e vejo a medida como um “complexo de vira lata” por parte de alguns governantes que tomaram a decisão baseada em países da Europa, mas estão se esquecendo que o hemisfério norte vive o início da primavera e, depois, o verão, estações em que os vírus se proliferam em menor velocidade”.

 

 

Entrevista: ‘Flexibilização de máscaras não tem base em evidências’
Nexo; 17/03
https://bit.ly/3JwN676

A decisão do governador paulista João Doria (PSDB) de desobrigar o uso de máscaras contra a covid-19 em espaços fechados é precoce e passa a mensagem errada sobre o estado da pandemia, segundo Lorena Barberia, professora no Departamento de Ciência Política da USP (Universidade de São Paulo), coordenadora científica da Rede de Pesquisa Solidária e pesquisadora do Observatório Covid-19 BR.

Para Barberia, os números de mortes por covid-19 no estado — 811 na semana anterior à liberação, segundo o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) — e o cenário internacional, com o aumento de casos na Ásia e na Europa, mostram que a pandemia não está controlada e a população pode ficar vulnerável com a flexibilização.

Nesta entrevista ao Nexo, (leia aqui) Barberia compara a decisão mais recente com flexibilizações anteriores de isolamento social — que ela critica por seguirem um movimento de zigue-zague, num abre-e-fecha de atividades. Ela também comenta o momento atual da pandemia e explica qual a importância do uso de máscaras.

 

 

 

Febeapá: Sérgio Porto teria que multiplicar Festival de Besteira para dar conta de governo Bolsonaro
Folha de São Paulo; 17/03
https://bit.ly/3tpK92x

Stanislaw Ponte Preta, heterônimo de Sérgio Porto (foto acima), fustigou as arbitrariedades e a estupidez da ditadura militar em seu célebre Festival de Besteira que Assola o País, sucesso na imprensa e em livros nos anos 1960. Estivesse vivo, o escritor estaria mais atarefado que nunca nesses tempos bolsonaristas.

 

O Febeapá (Festival de Besteira que Assola o País) surgiu nas páginas da Última Hora de Samuel Wainer, principal vitrine de Stanislaw Ponte Preta. Alimentado pelos leitores que enviavam recortes de jornais e atualizado diariamente, reuniu as façanhas de políticos, militares, funcionários públicos e demais “cocorocas” que gravitavam em torno do poder. A rigor era um relatório, com pequenas histórias absurdas. Hoje, é história do Brasil.

Historiador honesto, Stanislaw não sabia precisar o dia em que tudo começou: “Notei o alastramento do Festival de Besteira depois que uma inspetora de ensino no interior de São Paulo, portanto uma senhora de um nível intelectual mais elevado pouquinha coisa, ao saber que seu filho tirara zero numa prova de matemática, embora sabendo que o filho era um debiloide, não vacilou em apontar às autoridades o professor da criança como perigoso agente comunista”.

Se o fato ocorresse hoje, ninguém estranharia. Em novembro, a Polícia Civil intimou o diretor da Escola Municipal Getúlio Vargas, em Resende (RJ), a prestar depoimento, baseando-se em denúncia anônima encaminhada pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Uma pessoa afirmava que os alunos estariam sendo “expostos a conceitos comunistas” e “ideologia de gêneros”. A anônima inspetora de ensino dos tempos da ditadura transformou-se na poderosa ministra Damares Alves do governo Bolsonaro.

Não é preciso arrolar os inúmeros cacos de burrice explícita do presidente —como ter ido visitar a “Torre de Pizza” e confundido o político John Kerry com o humorista Jim Carrey— nem ressuscitar o ex-ministro da Educação que não sabia escrever a palavra “impressionante” (grafava “imprecionante”) para notar as semelhanças de estilo, intenção e gesto dos tempos bolsonaristas com os da redentora. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, não deixa a peteca cair: “É melhor perder a vida do que perder a liberdade”.

Na ditadura, quiseram prender Sófocles (que morreu por volta de 406 a.C.), autor de peça clássica, “Electra”, considerada subversiva; o filme “Ivan, o Terrível”, de Serguei Eisenstein, que conta a história do czar russo que viveu no século 16, teve sua exibição proibida em Belém para impedir que o “credo vermelho” fosse difundido entre nós. É bom ficar só nesses dois exemplos, para não dar munição ao secretário especial da Cultura, Mario Frias.

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