Fepesp - Federação dos Professores do Estado de São Paulo

sexta-feira, 18 de março de 2022

Por Beth Gaspar em 18 de março de 2022

18/03 - Evangélicos mandam e desmandam no Ministério da Educação, motivação política na flexibilização de máscaras, o ensino médio ‘que faz dormir’, e mais: Inteligência Artificial prejudica desenvolvimento infantil?

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Escola, shopping e supermercado vão deixar de exigir máscara em SP
Folha de S. Paulo; 17/03
https://bit.ly/3JDbkgl

Entidades de bares, restaurantes, shoppings, supermercados e escolas particulares paulistas afirmam que vão seguir a medida anunciada pelo governador João Doria (PSDB), nesta quinta-feira (17), de flexibilizar o uso de máscaras em ambientes fechados no estado de São Paulo. A Igreja Católica, entretanto, ainda deve recomendar o uso do item.

Hospitais, serviços de saúde, transporte público e locais de acesso, como estações de metrô e trem e terminais de ônibus, porém, são exceções. Nesses locais, a proteção contra Covid permanece obrigatória no estado (entenda as regras).

Como o governo paulista já havia flexibilizado o uso de máscara em ambientes abertos, era comum que pessoas entrassem em bares e restaurantes sem o item.

É prematuro deixar de exigir máscara com alta de casos na China e Europa, dizem especialistas
Folha de S. Paulo; 17/03
https://bit.ly/37Avf13

Especialistas afirmam que ainda é muito prematuro o governo paulista liberar o uso de máscaras em locais fechados, ainda mais diante da circulação da nova sub-variante da ômicron, a BA.2, que levou a um aumento de casos e internações em países da Europa e da Ásia. Segundo eles, medida anunciada por Doria é política e não obedece a critérios epidemiológicos.

O anúncio foi feito pelo governador João Doria (PSDB) durante o programa "Brasil Urgente" (Band), do apresentador José Luiz Datena, pré-candidato ao Senado na chapa encabeçada pelo PSDB em São Paulo. A medida vale no estado de São Paulo a partir desta quinta (17). No Rio, a flexibilização já está em vigor desde o último dia 7.

 

MINISTÉRIO SEM RUMO

Gabinete paralelo de pastores controla agenda e verba do Ministério da Educação
Jornal de Brasília; 18/03
https://bit.ly/3qg64aq

O gabinete do ministro da Educação, Milton Ribeiro, foi capturado por um grupo de pastores ligados a ele. Embora não tenham vínculos com a administração pública nem com o setor de ensino, segundo apurou o Estadão, eles formam um gabinete paralelo que facilita o acesso de outras pessoas ao ministro e participam de agendas fechadas onde são discutidas as prioridades da pasta e até o uso dos recursos destinados à educação no Brasil.

Com trânsito livre no ministério, os pastores atuam como lobistas. Viajam em voos da FAB e abrem as portas do gabinete do ministro para prefeitos e empresários. O grupo é capitaneado pelos pastores Gilmar Silva dos Santos, presidente da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil, e Arilton Moura, assessor de Assuntos Políticos da entidade.

 

Evangélicos exercem influência no MEC desde 2019
Estadão; 18/03
https://bit.ly/34Rfm5m

Quem abriu as portas do governo à dupla [os pastores evangélicos Gilmar Silva dos Santos e Arilton Moura Correia], segundo integrantes da bancada evangélica, foi o deputado João Campos (Republicanos-GO), pastor da Assembleia de Deus Ministério Vila Nova, ligado à convenção de Madureira.

O parlamentar participou de reuniões com os dois pastores no gabinete do ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, líder do Centrão e do Progressistas. O ministro da Cidadania, João Roma, também do Republicanos, disse que eles são amigos.

 

REFORMA DO ENSINO MÉDIO

Artigo: ‘O ensino médio que faz dormir’
Carta Capital; 18/03
https://bit.ly/3wiNXo7

“Depois de anos criticando o excesso de conteúdos escolares, Novo Ensino Médio entrega telecurso e salas sem professores nas redes estaduais”

Por Fernando Cássio, UFABC: “Meses atrás, os estudantes do 2º ano de uma escola estadual de Mauá/SP estavam enfrentando um dilema. Parte deles desejava repetir de ano para aprender aquilo que não havia aprendido durante o período do ensino remoto. A outra parte não queria repetir de jeito nenhum, pois sabia que, a partir de 2022, com o Novo Ensino Médio, não haveria mais conteúdos a serem aprendidos na escola.

Não obstante diferentes, as posições dos dois grupos eram justificadas pela percepção de que o conhecimento importa e que o papel cumprido pela escola não é o mesmo papel cumprido por, digamos, o TikTok e o Instagram. Dormindo ou acordados, os estudantes parecem ter compreendido o sentido da reforma educacional “modernizadora” antes de muitos de seus professores. Sabendo que não vão aprender bulhufas em um ensino médio esvaziado de conteúdos, já estão mostrando isso pela via do escracho para quem quiser ver.”

 

Diário de um aluno dormindo na jaula de aula
Midia 4P via Carta Capital; 22/12
https://bit.ly/3KTJI6D

Por Bruno D´Almeida, escritor: “Se pudesse ser um professor de gramática, incendiaria todos os manuais artificiais da língua. Queima! Daria livros e livros de histórias reais e imaginárias aos meus alunos. Aprendi a falar conversando com o mundo e lendo histórias. Aprendi a ler de verdade com a cara nos livros. Queima! Nenhum manual de gramática me ensinou mais sobre pontuação do que os ensaios sobre a cegueira do escritor português Saramago. Qualquer aula de vocabulário é o chulé do povo brasileiro de João Ubaldo. Queimem todas as gramáticas! Aprendi mais sobre estrutura narrativa nas tragédias de Shakespeare. Não preciso fazer classificações sintáticas para ler ou dizer o que penso. Estou mais preocupado em realizar textos do que classificá-los.”

 

POLÍTICA EDUCACIONAL

Novo Enem: primeira prova terá só questões de Matemática e Português
Rede Brasil Atual; 17/03
https://bit.ly/3Inb9Er

O novo Enem, anunciado nesta quinta-feira (17) pelo Ministério da Educação, será composto de duas etapas. Na primeira, o aluno será submetido a uma prova com questões discursivas de Português e Matemática, além da redação. E na segunda, as questões serão sobre a área escolhida pelo aluno durante o ensino médio. Ou seja, a parte flexível do currículo, também chamada de itinerários formativos. A mudança passa a valer para 2024, quando os alunos que começaram o novo ensino médio este ano estarão aptos a fazer a prova.

Atualmente, no primeiro dia da prova há 90 questões relacionadas Ciências Humanas, Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, e a redação. E no segundo, são 90 questões relacionadas a Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias.

 

CORONAVÍRUS

Covid: Israel anuncia descoberta de nova variante 'desconhecida'
UOL; 16/03
https://bit.ly/3tm1z0g

O Ministério israelense da Saúde anunciou, nesta quarta-feira (16), a detecção de dois casos de contágio por uma variante não identificada do coronavírus, sem gravidade aparente e que combina as subvariantes BA.1 e BA.2. "Esta variante ainda não é conhecida no mundo, e os dois casos foram descobertos, graças a testes de PCR feitos no aeroporto Ben Gurion, na entrada de Israel", informou o comunicado divulgado pelo ministério.

 

 


Tecnologias imersivas na educação, como a IA, podem prejudicar o neurodesenvolvimento infantil
Jornal da USP; 17/03
https://bit.ly/3ilDHDD

As tecnologias consideradas facilitadoras, como a IA, podem ser interessantes para a educação, mas isso não as eximem de riscos. Álvaro Machado Dias, neurocientista, graduado pelo Instituto de Psicologia (IP) da USP e pós-graduado pela Faculdade de Medicina (FM) da USP, dá um exemplo de aplicação dessas tecnologias no ensino: em vez de a criança ler sobre história, ela pode vivenciá-la de maneira mais realista com hologramas e ambientes virtuais 3D.

Entretanto, Dias avalia que o incentivo da abstração, determinante para a inteligência humana, vai diminuir. “Vai ser tudo muito mais realista e interessante, é verdade, você tem um grande impacto do ponto de vista da experiência”, diz. “Por outro lado, você tem muito pouco espaço para pensar, porque não foi desenhado para isso, foi desenhado para simplesmente viver sensorialmente essa realidade”, acrescenta.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição, o pesquisador afirma que isso pode mudar a forma como o cérebro infantil funciona, algo que já vem acontecendo. “O uso massivo de tecnologias digitais e de Inteligência Artificial na primeira infância afeta, ainda que não drasticamente, o funcionamento do cérebro e gera efeitos de longo prazo.”

Cognição social - Do ponto de vista da cognição social, ou seja, a capacidade de interagir socialmente com empatia, o uso de tecnologias traz a capacidade de manter contato com pessoas que você não se relacionaria fora desses ambientes digitais, mas “afeta negativamente o desenvolvimento e manutenção dessas competências”.

A vantagem, segundo o pesquisador, é justamente facilitar o contato entre as pessoas e contribuir, por exemplo, com benefícios para a população na terceira idade. Dias lembra, entretanto, que o uso de tecnologias facilitadoras da interação com o mundo pela população mais idosa, naturalmente, significa menos esforço cognitivo.

Isso pode ocasionar a chamada demência digital. “Pode existir uma aceleração do declínio cognitivo na medida em que o idoso esteja cercado por tecnologias baseadas em Inteligência Artificial e em interatividade em ambientes digitais, porque isso elimina toda a necessidade de esforço cognitivo”, conclui.

 

Inteligência artificial e realidade virtual avançam no MBA
Financial Times via Valor Econômico; 17/03
https://glo.bo/34SOPoh

Com os provedores de MBA on-line competindo para atrair alunos, todos estão se tornando mais inventivos na maneira como entregam os conteúdos. Em pouco tempo, tecnologias como realidade virtual (RV) e inteligência artificial (IA) poderão fazer os atuais cursos parecerem tão desatualizados quanto um envelope de materiais de estudo sendo jogado em um capacho da porta da frente.

Fornecer simplesmente um conjunto de slides e falar sobre eles “não será aceitável por muito mais tempo”, acrescenta ela - os alunos querem poder interagir. E como a flexibilidade é um ponto de venda importante dos MBAs on-line, o conteúdo não sincronizado precisa ser envolvente e prontamente acessível. Os podcasts estão se mostrando populares, segundo Dot Powell, diretora de aprimoramento de ensino da  Warwick Business School, porque “você pode ouvir o conteúdo em movimento”.

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