Fepesp - Federação dos Professores do Estado de São Paulo

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Por Beth Gaspar em 1 de abril de 2022

01/04 - CPI para investigar o MEC, formato híbrido avança nas universidades, justiça determina ‘linguagem neutra’, e mais: a primeira reitora negra no Brasil

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 Ausência de Ribeiro acelera articulação por CPI do MEC no Senado
Valor Econômico; 01/04
http://glo.bo/389g8fg

Ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro não compareceu ontem à audiência pública no Senado na qual prestaria esclarecimentos sobre as suspeitas de favorecimento a pastores evangélicos na distribuição de recursos da pasta - uma audiência que ele mesmo havia pedido. Os parlamentares, que viram na ausência as digitais do governo de Jair Bolsonaro, prometem reação.

No Palácio do Planalto, Bolsonaro lamentou que Ribeiro não estivesse participando da cerimônia de troca de ministros que disputarão a eleição e afirmou que sua saída do governo é temporária. “Não está aqui infelizmente o nosso ministro Milton, que nos deixou temporariamente”, declarou.

 

Centrão procura 5º ministro da Educação; conheça o mais cotado
Correio Braziliense; 31/03
https://bit.ly/370fjoB

Com a demissão de Milton Ribeiro, envolvido em suspeitas de corrupção no Ministério da Educação, o Centrão busca indicar o substituto — o quinto a comandar a pasta na gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL). A pasta desperta a ambição do grupo de sustentação do governo no Congresso por ter um dos maiores orçamentos da Esplanada, em torno de R$ 159 bilhões.

O nome que desponta para ocupar a vaga é o do reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Anderson Ribeiro Correia. Evangélico, ele tem recebido ligações de integrantes do Centrão para sondá-lo sobre a possibilidade de assumir o posto.

O reitor, de acordo com interlocutores, estaria disposto a aceitar o cargo e seria uma boa opção técnica, mas também alinhada aos evangélicos e ao Centrão. Bolsonaro chegou a considerar o nome de Correia para substituir o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, em junho do ano passado, mas optou por Milton Ribeiro.


Educação Superior: 38% dos universitários são analfabetos funcionais
Estado de Minas; 31/03
https://bit.ly/3IWuX1x

Parece mentira, mas não é. Estou falando do resultado publicado recentemente pelo Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf) que aponta que 38% dos universitários do Brasil são considerados analfabetos funcionais. Isso significa que os estudantes são capazes de ler e escrever, mas não sabem interpretar nem agregar informações. A falta de compreensão do que lhe é pedido torna-se um problema que impacta as várias camadas da sociedade, da escola ao mercado.

 

Faculdades já testam o formato híbrido que ficará no pós-pandemia
Estadão; 31/03
https://bit.ly/3NBhi3w

Após tantas expectativas, o "novo normal" finalmente chegou. Para as instituições de ensino superior, significa o retorno dos estudantes e professores às salas de aula quase como era antes da pandemia. Além das máscaras, a metodologia também é um diferencial. Ferramentas utilizadas durante o período de isolamento foram inseridas na formatação dos cursos de graduação e pós-graduação.

"Temos uma parcela dos alunos que não quer voltar ao presencial. Assim, adaptamos nossas salas de aula para o formato híbrido e aumentamos a oferta de opções de aulas e cursos remotos", comenta Paulo Lemos, diretor de Educação Executiva da FGV. No Insper, algumas disciplinas eletivas serão mantidas no formato virtual. "Em diversas eletivas, ficou mais fácil ter professores intercambistas com as aulas a distância. " explica o diretor de graduação da instituição, Guilherme Martins. O campo dos cursos de pós-graduação stricto-sensu também conta com medidas implementadas na pandemia e que vieram para ficar. Na PUC-SP, as defesas de teses de doutorado e dissertações de mestrado terão a opção de membros externos das bancas avaliadoras atuarem remotamente, o que facilitará a participação de especialistas de outras instituições e estrangeiros.

 

Justiça determina volta do incentivo a obras que usam linguagem neutra
Rede Brasil Atual; 31/03
https://bit.ly/3JZIfMd

A Justiça Federal suspendeu portaria da Secretaria Especial de Cultura proibindo uso da linguagem neutra – ou não binária – em obras financiadas pela Lei Rouanet. A determinação tem validade imediata. Esse tipo de linguagem é um conceito defendido por ativistas dos movimentos feministas e LGBTI+ para descaracterizar o “binarismo” na linguagem. Ou seja, a ideia de que determinadas palavras são necessariamente femininas ou masculinas.

A portaria saiu em outubro passado no Diário Oficial da União, assinada pelo secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, André Porciúncula. Na época, ele tuitou que a portaria foi uma decisão do secretário Mário Frias. Para os auxiliares de Jair Bolsonaro, que já combatia tanto a linguagem não-binária como a Lei Rouanet desde sua campanha, essa “a linguagem neutra estaria destruindo os materiais linguísticos necessários para a manutenção e difusão da cultura”.

 

PRIMEIRO DE ABRIL

Artigo: ‘Professores podem ensinar que hoje é aniversário do golpe?’
Folha de S. Paulo; 31/03
https://bit.ly/3qQOMRS

Por Laura Mattos, mestre pela USP, autora de ‘Os Bastidores da Censura à TV na Ditadura':  “O site do movimento Escola sem Partido, apoiado por Bolsonaro, é transparente sobre o que pensa sobre a liberdade em sala de aula, ou melhor, sobre a falta dela: "Dentro da escola, nem professores, nem alunos têm direito à livre manifestação do pensamento". Essa concepção surreal, que ignora que a educação só é possível com a livre troca de pensamentos e opiniões, fica evidente com a história de Campinas, um resumo, infelizmente, do que se passa nestes últimos anos em escolas do país inteiro.

Nesse clima de inquisição, será que os professores debatem em aula, sem receio, a censura imposta a artistas do Lollapalooza a pedido do partido do presidente? E o aniversário do golpe, as mortes e a tortura? Ou teriam eles que "celebrar" o "movimento" que "pacificou e reorganizou" o país para "garantir as liberdades democráticas" e foi um "marco histórico", como defendeu, neste 31 de março e no do ano passado, o ministro Braga Netto, que deverá ser o vice na chapa bolsonarista?

Será que o Ministério da Educação tem alguma orientação para a aula de hoje? Ou, para definir o que ensinar aos alunos, é melhor pedir instruções diretamente aos pastores que Bolsonaro indicou para comandar as verbas públicas da educação?

 

Sinpro Osasco: campanha de sindicalização
Sinpro Osasco; 30/03
https://bit.ly/3LsIbog

Campanha de sindicalização do Sinpro Osasco oferece brindes para atrair novos sócios. Saiba mais aqui: http://www.sinprosasco.org.br/sindicalize-se/

 

SAÚDE

A saúde mental dos professores
Diário do Grande ABC; 317/03
https://bit.ly/3qTyl70

A classe de professores é uma das mais impactadas pelas mudanças relacionadas à pandemia de Covid-19: em pesquisa realizada pela Nova Escola, 28% dos docentes avaliaram a própria saúde emocional como péssima, havendo considerável piora na comparação com o cenário pré-pandemia, onde 81,9% da população em geral já apresentava sintomas de ansiedade, em grande parte moderados a severos. Os agentes estressores externos clássicos, como trabalho, família, finanças e saúde ganharam novos acompanhantes, relacionados, sobretudo, ao medo: do contágio, da própria morte, da eventual perda de pessoas próximas, de não estar produzindo tanto quanto antes e de não saber lidar com as demandas psicológicas trazidas pelos alunos.

Os transtornos de ansiedade compartilham características de medo e ansiedade excessivos. Medo é a resposta emocional relacionada à ameaça iminente real ou percebida, enquanto a ansiedade é a antecipação de ameaça futura. Como descrito por diversos pesquisadores do tema, o ambiente educacional revela que os professores, de modo geral, passam por ‘mal-estar docente’: violência, baixa remuneração, carga excessiva de trabalho e burocracia corroboram com o surgimento de sintomas de estresse e ansiedade. Neste cenário, faz-se necessária a construção de espaços de acolhimento para os professores desenvolverem repertório mais consistente de recursos adaptativos e de autorregulação emocional.

 

Brasil tem 290 mortes por Covid-19 em 24 horas; média móvel segue em queda
G1; 31/03
http://glo.bo/3LDMlKp

O Brasil registrou nesta quinta-feira (31) 290 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas, totalizando 659.860 desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias é de 213, a mais baixa desde 19 de janeiro de 2022. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de -34%, tendência de queda nos óbitos decorrentes da doença.

 

 

 

 

Aumento de professores negros nas universidades é desdobramento recente mais relevante das cotas, diz primeira reitora negra
Folha de S. Paulo; 01/04
https://bit.ly/3IS9HKo

Liderança de muitas gerações do movimento negro, Zélia Amador de Deus, 70, primeira reitora negra em universidade pública no Brasil segue sendo uma voz ativa no combate ao racismo e defesa dos direitos humanos no Norte do país. Um dos reconhecimentos que recebeu pela sua trajetória foi o Prêmio BrazilFoundation de Direitos Humanos, ONG de Nova York.

Além de docente da UFPA, a Universidade Federal do Pará, Zélia Amador também é atriz, fundadora do Centro de Defesa do Negro no Pará e integra a Coalizão Negra por Direitos - principal aglomeração de movimentos negros, como Instituto Marielle Franco, Conaq (Coordenação Nacional Quilombola) e Uneafro.

Em entrevista, a militante e intelectual revisita momentos-chave na luta antirracista e faz defesa entusiasmada da universidade pública e da política de cotas raciais.

Pergunta – A senhora participa dos debates sobre a importância das universidades públicas. Em razão disso, foi homenageada em Nova York e teve um documentário em curta-metragem, o Amador, Zélia - lançado em 2021, idealizado por Glauco Melo, com roteiro do jornalista paraense Ismael Machado. Que história é essa?

Resposta - Olha, eu sou Zélia Amador de Deus, militante do movimento negro e uma das fundadoras do Centro de Defesa do Negro do Pará, fundado há 41 anos. Também sou professora emérita da Universidade Federal do Pará, onde estou desde 1978. Na universidade, já ocupei cargos administrativos, fui chefe de departamento, diretora do Centro de Artes e vice-reitora, atualmente coordeno uma parte da Assessoria da Diversidade e Inclusão Social, um órgão ligado ao gabinete do reitor.

Sou resultado dessa oportunidade que a escola pública oferece, fiz mestrado na UFMG e doutorado na UFPA, então considero a escola pública de uma importância grande para a população negra no país. As universidades federais são capazes de mudar o destino dessas pessoas negras. Por isso luto pelas ações afirmativas, que obrigam a garantia de vagas para negros e indígenas na faculdade.

Pergunta – Como essas políticas de ações afirmativas podem ser melhoradas?

Resposta - Eu diria que a cota talvez seja a política mais eficiente que conseguimos construir para dar conta de combater discriminações, desigualdades. O mínimo que tínhamos, este governo acabou, solapou como a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Sem orçamento, quais as possibilidades de fato desse órgão combater o racismo? Isso precisa ser levado em conta no Ministério da Economia, Saúde, no Ministério da Educação, política de moradia, em todas as áreas.

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