A Federação dos Professores do Estado de São Paulo, entidade que reúne 25 sindicatos integrantes e representa professoras, professores, técnicas e técnicos administrativos do ensino privado paulista, vem a público manifestar sua posição diante das eleições gerais de outubro de 2026.
Em assembleia, as entidades integrantes da Federação aprovaram, por unanimidade, o apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República.
Esta decisão não decorre apenas de uma escolha entre candidaturas. Ela expressa o compromisso histórico da Fepesp com a democracia, a soberania nacional, os direitos sociais, a valorização da educação e a proteção das trabalhadoras e dos trabalhadores.
Vivemos uma eleição de importância histórica.
A democracia brasileira continua sendo colocada à prova. Os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 mostraram que as ameaças ao Estado Democrático de Direito não pertencem apenas ao passado. Naquela data, o país assistiu a uma tentativa de ruptura institucional conduzida por grupos que não aceitaram o resultado legítimo das urnas.
A história brasileira já demonstrou o que acontece quando o autoritarismo avança: direitos coletivos e individuais são retirados, trabalhadores são perseguidos, a liberdade de expressão é ameaçada e a desigualdade se aprofunda.
Os acontecimentos recentes envolvendo o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal reforçam a necessidade de permanente vigilância democrática. A decisão do ministro André Mendonça que determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ainda que posteriormente suspensa pela Presidência do STF, aprofundou uma grave crise institucional e colocou sob tensão investigações relevantes conduzidas pela instituição.
Não cabe à Fepesp antecipar julgamentos ou ignorar a necessária independência entre os Poderes. Cabe, entretanto, defender com firmeza que nenhuma instituição de Estado seja utilizada para atender a interesses políticos, eleitorais ou pessoais. A Polícia Federal deve ter autonomia para investigar todos aqueles contra os quais existam indícios de irregularidades, independentemente de vínculos partidários, econômicos ou familiares.
Este manifesto também é uma defesa da soberania nacional e do uso das riquezas brasileiras em benefício do nosso povo.
O Brasil possui recursos naturais estratégicos, entre eles as chamadas terras raras, fundamentais para diferentes setores da economia mundial. Declarações do candidato Flávio Bolsonaro, feitas nos Estados Unidos, ao apresentar o Brasil como parceiro para reduzir a dependência norte-americana de minerais fornecidos pela China despertam legítima preocupação.
Qualquer parceria internacional envolvendo recursos estratégicos deve preservar os interesses nacionais, gerar desenvolvimento, tecnologia, empregos e renda no Brasil. As riquezas do país não podem ser tratadas como moeda de troca nem colocadas a serviço de interesses estrangeiros.
O apoio à reeleição de Lula também está relacionado à defesa dos programas sociais e das políticas públicas que atendem milhões de brasileiros.
Educação pública de qualidade, acesso à saúde, moradia digna, saneamento básico, energia elétrica e políticas de transferência de renda não são favores concedidos pelo Estado. São instrumentos de cidadania e condições fundamentais para que todas e todos possam construir uma vida melhor.
A interrupção ou o enfraquecimento dessas políticas atingiria principalmente a população mais vulnerável, aumentaria as desigualdades e comprometeria avanços conquistados ao longo de décadas.
A construção de um Brasil socialmente justo também exige o enfrentamento das jornadas exaustivas de trabalho. Por isso, a Fepesp apoia a luta pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada sem redução salarial. Trabalhadoras e trabalhadores têm direito ao descanso, à convivência familiar, ao lazer, à cultura e à educação. O desenvolvimento do país não pode se sustentar na exploração nem retirar das pessoas o direito de viver para além do trabalho.
A Fepesp também defende o combate permanente à corrupção e ao crime organizado. Sob o atual governo, investigações conduzidas pela Polícia Federal e por outros órgãos de Estado alcançaram os descontos indevidos em benefícios do INSS, as irregularidades envolvendo o Banco Master e operações financeiras utilizadas para lavar recursos do crime organizado.
Essas investigações precisam continuar com independência, rigor e transparência. O enfrentamento da criminalidade deve alcançar tanto os delitos que afetam diretamente a população quanto os grandes esquemas econômicos que desviam recursos públicos, movimentam bilhões de reais e corroem a confiança nas instituições.
Por essas razões, a Fepesp manifesta seu apoio à reeleição de Lula para a Presidência da República.
Sabemos, porém, que nenhum projeto de governo pode avançar sem respaldo no Congresso Nacional. A experiência recente mostrou como uma composição parlamentar contrária aos direitos sociais pode bloquear políticas públicas, reduzir investimentos, enfraquecer a legislação trabalhista e dificultar a construção de um país mais justo.
Por isso, a Federação também defende a eleição de deputadas e deputados federais e estaduais efetivamente comprometidos com a democracia, a educação, os serviços públicos, os direitos trabalhistas e a justiça social.
No estado de São Paulo, a Fepesp manifesta apoio às candidaturas de Simone Tebet e Marina Silva ao Senado Federal. São duas mulheres com trajetória pública reconhecida e que se posicionam em defesa da democracia, do desenvolvimento sustentável e de políticas capazes de melhorar as condições de vida da população brasileira.
Da mesma forma, consideramos fundamental a eleição de Fernando Haddad para o Governo do Estado de São Paulo.
O estado mais rico da Federação não pode continuar submetido a uma lógica que abandona a proteção social, precariza os serviços públicos e transforma direitos fundamentais em oportunidades de negócio. São Paulo precisa de um governo que valorize a educação, respeite os profissionais do ensino e compreenda que o desenvolvimento somente faz sentido quando beneficia toda a sociedade.
A boa política é aquela que aproxima, acolhe e protege. É aquela que combate as desigualdades e garante que ninguém seja deixado para trás.
Nas eleições de 2026, estarão em disputa dois projetos distintos de País e de Estado. A Fepesp faz sua escolha ao lado da democracia, da soberania nacional, da educação e dos direitos sociais.
Por tudo isso, a escolha da Fepesp é Lula, Haddad, Simone e Marina.
São Paulo, setembro de 2026