Fepesp - Federação dos Professores do Estado de São Paulo

Por Fepesp em 22 de setembro de 2026

Quem representa os trabalhadores também decide o futuro da educação

A menos de duas semanas do primeiro turno das eleições de 2026, o debate sobre representação política ganha peso também para quem vive diariamente a realidade da educação. Não estão em jogo apenas os cargos do Executivo. As escolhas para o Congresso Nacional e para as Assembleias Legislativas também terão impacto sobre políticas educacionais, direitos trabalhistas e as condições de trabalho de professoras e professores.

Recentemente, a Federação dos Professores do Estado de São Paulo (Fepesp) tornou público seu posicionamento diante das eleições. Mas, para além das escolhas apresentadas pela Federação, há uma discussão que precisa permanecer: qual é a relação entre representação política, organização dos trabalhadores e o futuro da educação?

Nenhuma decisão sobre educação nasce isolada da política. O orçamento destinado às escolas, a regulamentação das instituições privadas, a proteção das convenções coletivas e as regras que organizam o trabalho dependem de escolhas feitas em espaços de poder. Quando a classe trabalhadora se afasta dessas decisões, outros interesses ocupam o seu lugar.

Para professoras e professores, compreender esse processo é indispensável. A defesa da profissão não começa apenas quando uma cláusula é ameaçada ou quando uma negociação salarial chega a um impasse. Ela também passa pela capacidade de identificar quais projetos fortalecem a educação, respeitam os trabalhadores e reconhecem a importância da organização sindical.

O discurso de valorização docente costuma aparecer com facilidade em períodos eleitorais. Mais difícil é encontrar compromisso concreto com salário digno, financiamento adequado, liberdade de ensinar, defesa da escola pública, gratuita, laica e de qualidade, participação democrática e enfrentamento da precarização. Por isso, o critério precisa ir além de slogans e promessas genéricas.

É necessário observar trajetórias, posições públicas e votos dados em debates que afetam a vida de quem trabalha. Quem defende a redução de direitos, enfraquece sindicatos ou transforma a educação em simples oportunidade de negócio não pode ser apresentado como aliado da valorização profissional apenas porque menciona professores em uma campanha.

Representação política não significa transferir a responsabilidade coletiva para uma pessoa ou partido. Significa disputar os rumos das políticas públicas e exigir coerência de quem pretende ocupar espaços de decisão.

Também significa reconhecer que democracia e direitos trabalhistas caminham juntos. Quando a participação é atacada, a capacidade de organização e negociação da classe trabalhadora também se enfraquece.

A educação precisa de representantes comprometidos com sua função social, com a valorização de seus profissionais, com a defesa de uma escola pública, gratuita e laica e com o enfrentamento das desigualdades. Precisa de pessoas capazes de compreender que uma educação de qualidade não se constrói com professores exaustos, salários achatados e direitos tratados como obstáculos.

O voto é uma escolha individual. A representação política, porém, produz consequências coletivas.

Para quem vive do trabalho e conhece a realidade das salas de aula, participar do debate político também é defender o presente da categoria e o futuro da educação.

Ailton Fernandes

Presidente da Fepesp

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