8 de abril de 2019| , ,

Quem é Weintraub? Ninguém na área o conhecia.

Novo ministro vem da área de finanças, é apoiador de Bolsonaro e amigo de Onyx de longa data e tem a Bíblia como guia

Na manhã desta segunda-feira (8/04) Bolsonaro anunciou a demissão de Ricardo Vélez Rodriguez do cargo de ministro da Educação. O anúncio do seu substituto, Abraham Weintraub, foi feito pelo Twitter:

 

“Comunico a todos a indicação do Professor Abraham Weintraub ao cargo de ministro da Educação. Abraham é doutor, professor universitário e possui ampla experiência em gestão e o conhecimento necessário para a pasta. Aproveito para agradecer ao Prof. Velez pelos serviços prestados”. Jair Bolsonaro.

 

O economista Abraham Bragança de Vasconcellos Weintraub (foto), que atuou no setor financeiro em vários bancos no Brasil, foi nomeado em novembro de 2018 para a equipe de transição para o governo Jair Bolsonaro, com a tarefa de requisitar informações dos órgãos e entidades da Administração Pública Federal.

Weintraub atuou no mercado financeiro por mais de 20 anos. Ele foi sócio na Quest Investimentos, diretor do Banco Votorantim, membro do comitê de trading da BM&F Bovespa, conselheiro da Ancord e representou o Votorantim em encontros do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele é formado em Ciências Econômicas pela Universidade de São Paulo, em 1994, se tornou professor da Unifesp e foi mestre em finanças pela FGV. É o segundo ministro substituído neste governo, ainda nos seus cem primeiros dias.

 

Vélez colecionou polêmicas em três meses

Colombiano naturalizado brasileiro, Vélez vinha sofrendo críticas pela maneira como vinha conduzindo a pasta, em meio a disputas políticas internas, e por protagonizar medidas polêmicas junto à opinião pública, como o pedido de gravação de crianças cantando o hino nacional em escolas com o posterior envio dos filmes ao governo federal.

Vélez é o segundo ministro a ser exonerado antes dos 100 primeiros dias do governo Bolsonaro, a serem completados na próxima quarta-feira (10). O primeiro foi Gustavo Bebbianno (PSL), ex-chefe da Secretaria-Geral da Presidência e um dos principais articuladores da campanha eleitoral do atual presidente. Bebianno foi exonerado em 19 de fevereiro após divergências políticas com Jair Bolsonaro e sofrer ataques nas redes sociais de um dos filhos do presidente, o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSC).

E MAIS:

 

Inexperiência de ministro
com discussões de Educação preocupa especialistas
Folha de S. Paulo; 08/04
http://bit.ly/2G9tW96

O anúncio do economista Abraham Weintraub como novo ministro da Educação representa a chegada de mais uma pessoa distante das discussões de políticas públicas na área, a exemplo do demitido Ricardo Vélez Rodriguez. Mesmo com a troca, ainda há o temor de que ações do setor continuem em ponto morto, além de continuidade nas disputas dentro da pasta.

 

Abraham Weintraub, um segundo ‘olavete’ no MEC
para gerir a “terra arrasada”
El País; 09/04
http://bit.ly/2OZGeUu

Um professor universitário contra o “marxismo cultural”, que trata seus opositores como inimigos, especialista em Previdência social, que passou pelo mercado financeiro, mas nunca gerenciou nada na área educacional. Foi aluno de Olavo de Carvalho – o ideólogo do bolsonarismo. Esse é o novo ministro da Educação, o economista Abraham Weintraub. Ao lado de seu irmão, o advogado e professor Arthur Weintraub, administrou o Centro de Estudos em Seguridade e prega a bandeira ideológica e conservadora do Governo Jair Bolsonaro (PSL). Chega ao cargo com o desafio de administrar uma “terra arrasada” deixada por seu antecessor Ricardo Vélez. Entre idas e vindas,  Vélez demitiu mais de dez assessores e quatro secretários-executivos, além de não conseguir dar andamento a quase nenhum projeto em pouco mais de três meses de gestão.


Novo chefe do MEC defende teorias de Olavo
contra ‘marxismo cultural’
Carta Capital; 08/04
http://bit.ly/2Ga0Zdk

O economista Abraham Weintraub, que vai substituir Ricardo Vélez no Ministério da Educação, também é um seguidor de Olavo de Carvalho, ou olavete, como são chamados os discípulos do guru de Jair Bolsonaro. Assim como o antecessor, ele acredita que as teorias do astrólogo são a ponta de lança na luta contra o “comunismo” e o “marxismo cultural” nas universidades. No fim do ano passado, ele e o irmão contaram na Cúpula Conservadora das Américas como as ideias de Olavo de Carvalho os ajudaram a enfrentar o comunismo nas universidades. Em meio a uma explanação econômica e política, ele defendeu o modus operandi do filósofo. “A gente tem que ser mais engraçados que os comunistas, a gente tem que ganhar a juventude”.


Irmãos Weintraub defendem adaptar teoria de Olavo de Carvalho
para vencer a esquerda
Estadão; 08/04
http://bit.ly/2KiVQUp

Sobre o novo ministro, que não é de Educação: “Perto de Weintraub, Vélez seria um tucano”, disse um ex-integrante do MEC, em condição de anonimato, ressaltando a carga ideológica do novo ministro. Responsáveis pela área da Previdência na equipe de transição de Jair Bolsonaro, os irmãos Weintraub defendem que os militantes de direita devem adaptar as teorias do filósofo Olavo de Carvalho, tido como guru do próximo presidente, para vencer os embates teóricos com os militantes de esquerda. Eles integraram o painel sobre economia da Cúpula Conservadora das Américas.

 

Novo ministro diz que sofreu perseguição
de ‘comunistas da Unifesp’, onde dá aula
O Globo; 08/04
https://glo.bo/2UJRRUO

O novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, avalia que sofre perseguição da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde dá aula de Ciências Contábeis, por, segundo ele, ter embarcado no projeto político do presidente Jair Bolsonaro. Essa perseguição seria, ainda em sua própria avaliação, promovida por comunistas que atuam dentro da instituição. Para combatê-los, diz ele, a solução são as lições de Olavo de Carvalho, conhecido como guru do bolsonarismo.

 

Artigo | Universidade nordestina não deve ensinar filosofia,
diz novo titular do MEC
Blog do Josias; 08/04
http://bit.ly/2G4IGor

O novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, avalia que universidades do Nordeste não deveriam oferecer cursos de disciplinas como sociologia e filosofia. Para ele, esses estabelecimentos deveriam priorizar o ensino de agronomia, “em parceria com Israel.”


“O socialista é a Aids”,
disse novo ministro da Educação

Metrópoles; 08/04
http://bit.ly/2Kk3mOG

Em um vídeo que circula pelas redes sociais, o novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, dá uma declaração polêmica durante uma palestra e afirma que “o socialista é a Aids e o comunista é a doença oportunista”. Em seguida do vídeo, Weintraub sugere que “quando o comunista ou o socialista chegar para você com papo ‘fronhonho’ (sic), você pega e manda ele para aquele lugar, xinga, faça o que o professor Olavo [de Carvalho] fala, xinga, xinga”, completou.

 

Para conhecer melhor o ministro Weintraub – matéria do Estadão de agosto de 2018:

Quem são os irmãos da comitiva de Bolsonaro

Professores da Unifesp, os Weintraub já compraram briga com alunos depois de se tornarem colaboradores do candidato na área econômica
Renata Agostini, SÃO PAULO
05 de agosto de 2018 | 04h00

Faltava pouco para chegar à cidade japonesa de Hamamatsu quando Jair Bolsonaro (PSL-RJ) parou para exibir sua comitiva nas redes sociais. Jaqueta de couro para abrigá-lo do frio de fevereiro, posou firme e sério ladeado pelos deputados Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e Luiz Nishimori (PR-PR) e pelos três filhos políticos – Eduardo, Flávio e Carlos. Ao fundo, completando o grupo de viajantes, estavam Abraham e Arthur Weintraub.

Neófitos em eventos políticos, os irmãos paulistas, ambos professores universitários, lançaram-se na viagem como assessores técnicos do deputado, que faria encontros ainda em Taiwan e na Coreia do Sul. Já não eram, porém, novatos na hostes de Bolsonaro. Há quase um ano haviam se tornado uns dos principais colaboradores do então pré-candidato.

Prontificaram-se para a tarefa quando ainda rareavam nomes dispostos a contribuir com Bolsonaro. Paulo Guedes, hoje incensado pelo deputado como seu farol na economia e coordenador de seu programa na área, ainda não havia se unido ao time – o economista aconselhava Luciano Huck e acalentava o sonho de que o apresentador se lançasse candidato à presidência.

 

Abraham e Arthur Weintraub dizem que seguirão no front de Bolsonaro. Querem lutar contra o “establishment” e a tentativa de transformar o Brasil numa grande Venezuela. “Somos humanistas, democratas, liberais, lemos a Bíblia  e a temos como referência”

 

 

 

 

A ponte dos Weintraub com Bolsonaro foi feita por Lorenzoni, a quem conheceram num seminário internacional sobre Previdência, realizado no Congresso em março de 2017. O deputado do Democratas entusiasmou-se com as ideias da dupla. No mês seguinte, levou-os a Bolsonaro. “Eles tinham a mesma resistência que os acadêmicos têm porque não conhecem o Jair. Sou amigo dele e disse que ele era acessível e com sólida formação matemática”, afirma Lorenzoni. A conversa em Brasília era para durar meia hora. Levou duas. Os dois professores logo alistaram-se ao grupo de apoiadores do ex-capitão do Exército.

“Diante de ameaças é necessário lutar pelo país em que se vive. Os venezuelanos descobriram isso muito tarde. Perderam o controle de sua pátria e hoje são colônia dos ditadores que controlam Cuba. São escravos”, disse Abraham, em nome dele e do irmão, sobre o que os motivou a contribuir com Bolsonaro. Não se trata de ser de direita, sustentam. Eles não se reconhecem nas classificações políticas tradicionais. “Esquerda ou direita, acho que é uma rotulação pobre. Somos humanistas, democratas, liberais, lemos a Bíblia (Velho e Novo Testamento) e a temos como referência”, afirmou.

Avessos a entrevistas, os dois concordaram em falar ao Estado sob a condição de que registrassem todas as respostas por e-mail. A medida, dizem, visa preservá-los. Arthur e Abraham se dizem perseguidos e alvo de ameaças desde que seu vínculo com Bolsonaro tornou-se público.

Economista pela USP, Abraham trabalhou 18 de seus 47 anos no Banco Votorantim, onde foi de office-boy a economista-chefe e diretor. Demitido, seguiu para a Quest Corretora e, logo depois, deixou a iniciativa privada. Arthur, de 42 anos, formou-se em direito pela USP e advogou por quase duas décadas. Especializou-se em Previdência, tema de seu mestrado e doutorado e de seus 14 livros já publicados.

Ambos passaram a se dedicar à Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp: Abraham como professor de Ciências Contábeis e Arthur, de Ciências Atuariais. Paralelamente, fundaram o Centro de Estudos em Seguridade, que presta consultoria a empresas e publica uma revista sobre Previdência.

Conflito com estudantes

É na universidade, dizem, que se sentem hostilizados. Em novembro passado, Bolsonaro publicou um texto nas redes sociais assinado pelos Weintraub, que defendia a independência do Banco Central. Representantes de parte dos centros acadêmicos do campus publicaram nota repudiando a parceria dos dois com o presidenciável por “normalizar o candidato como legítimo e que supostamente merece nosso diálogo”.

“Repudiamos a associação de nosso corpo docente à pessoa do senhor Jair Bolsonaro, já que coloca em jogo o princípio da instituição, e de nossos valores em defesa da educação pública, gratuita e socialmente referenciada”, dizia a nota assinada pelo diretório acadêmico do campus e pelos centros acadêmicos dos cursos de Economia e de Relações Internacionais  – os representantes de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Atuariais não se posicionaram.

Os irmãos responderam ao estilo Bolsonaro. Disseram que achavam impressionante que os estudantes de Economia os dessem “lição de moral”, que eles deveriam deixar “de ser ridículos” e ter vergonha “por puxar a nota do campus lá para baixo”. Por fim, que  aguardavam “ansiosamente pela Ditadura do Proletariado”.

“Iríamos falar do curso de Relações Internacionais, porém, humildemente, não nos sentimos confortáveis em comentar pois, até recentemente, acreditávamos que o mesmo talvez ficasse no campus da Escola Paulista de Medicina, no departamento de Reprodução Humana no Exterior”, concluíam a nota.

O texto causou reações indignadas de alunos e professores da Unifesp nas redes sociais – uma mensagem dizia que, aos dois, faltara apanhar. Reclamações chegaram à ouvidoria da universidade pela conduta dos Weintraub. A universidade ainda aguarda posicionamento do Comitê de Ética Pública.

Os irmãos dizem não se arrepender. “Ficamos muito indignados com a invasão de nossa vida pessoal. Foi patrulhamento ideológico puro, uma nota de repúdio à nossa liberdade. Fora do trabalho, nossa vida pessoal não diz respeito a ninguém. Não fizemos nada de ilegal, não utilizamos estrutura, dinheiro, e-mail, nada, absolutamente nada da Unifesp”, disse Abraham. “Acreditamos que o humor é redentor. Não pode tratar com seriedade argumentação ridícula. Aproveitamos e desopilamos o fígado”.

Os Weintraub ressentem-se há tempos de a Unifesp não protegê-los. Em 2014, sentiram-se atacados quando e-mail anônimo distribuído a integrantes da universidade dizia que o fato de eles e a mulher de Abraham trabalharem na universidade configurava nepotismo – os três ingressaram via concurso. Na época, colegas os defenderam respondendo ao email. Eles queriam, porém, que a universidade tivesse investigado o email. Acreditam que a mensagem foi enviada pois Arthur contribuía com integrantes da campanha de Marina Silva à presidência.

“Naquela época, quando os militantes da Unifesp souberam que o Arthur estava ajudando uma candidata da oposição (Marina Silva) também houve ataques (documentados), porém, agora com Bolsonaro a perseguição é formal e institucional”, afirmou Abraham.

Sindicância sigilosa

Ele se refere a uma sindicância investigativa aberta em agosto do ano passado pela Unifesp contra Arthur. Ele foi intimado a apresentar uma série de documentos, mas não pôde ter acesso ao procedimento. A Unifesp argumentou que ele era sigiloso. Arthur tentou por meio de um advogado. Recorreu à OAB. Não conseguiu.

A Unifesp informou que a sindicância foi aberta a pedido da direção do campus Osasco, onde lecionam os irmãos. Após a reportagem insistir sobre o motivo, disse que foi por uma “denúncia sobre o Centro de Estudos em Seguridade”. Não esclareceu a razão da abertura nesse momento.

A Unifesp disse que vetou acesso aos autos a Arthur por se tratar de orientação expressa em portaria da Controladoria-Geral da União. O documento citado pela universidade, porém, não fala em caráter sigiloso a esse tipo de procedimento (o sigilo está previsto em estágio anterior à sindicância investigativa, um procedimento chamado de “investigação preliminar”).

A universidade nega que haja perseguição. Em nota, afirmou que “por seu caráter acadêmico e autônomo de partidos, é espaço para discussão ampla e irrestrita de diferentes pontos de vista acerca de quaisquer temas”.

Abraham e Arthur dizem que seguirão na lida – na faculdade e no front de Bolsonaro. Querem lutar contra o “establishment” e a tentativa de transformar o Brasil numa grande Venezuela. “Durante o século XX, mais da metade das pessoas do mundo viveram sob alguma forma de terror. Hoje, a América do Sul, e o Brasil em particular, faz parte do espaço vital de uma estratégia clara para a tomada de poder por grupos totalitários socialistas e comunistas”, diz Abraham. “Eu não acreditava nisso. Achava que era teoria da conspiração. Todavia, está tudo documentado! O Foro de São Paulo é uma realidade! As FARC eram convidadas de honra. O crack foi introduzido no Brasil de caso pensado. Vejam os arquivos, está na internet!”.

Nessa batalha, Marina Silva perdeu para o ex-capitão o posto de liderança a ser seguida. “Desejamos que o Brasil mude, que acabe o roubo epidêmico, a corrupção, os privilégios, o patrulhamento ideológico, o narcotráfico e a ameaça de totalitarismo bolivariano. Em 2014, acreditávamos que Marina era a melhor alternativa. Hoje, evidentemente, Jair Bolsonaro representa o Brasil do futuro pelo qual estamos dispostos a lutar”.

 

 

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