7 de outubro de 2019| , , , , , ,

BAURU: em dois anos, quase 300 professores universitários foram demitidos

Neste ano, mais de 40 professores foram demitidos sem justa causa

O Sindicato dos Professores de Bauru e Região levantou que ocorreram 287 demissões de professores universitários sem justa causa em faculdades e universidades particulares do município, entre 2017 e 2019. Os números foram contabilizados pelo próprio sindicado, que é o responsável pela formalização da rescisão entre os docentes e as instituições de ensino.

O ano de 2017 corresponde ao período de maior ocorrência dentro da mostra, com 62% dos registros. Em 2018, foram 68 rescisões.

Neste ano, 41 profissionais já ficaram sem emprego entre os meses de junho e setembro. Por força da Convenção Coletiva de Trabalho, as demissões de professores de ensino superior da rede privada só podem ocorrer nesse período ou entre dezembro e janeiro.

“É um cenário de profunda lamentação. Vivemos tempos em que a educação, para algumas instituições, é meramente um produto comercial. Salários baixos e salas de aula com excessivo número de alunos são, cada vez mais, via de regra”, explica Sebastião Clementino da Silva, presidente do SinproBau.

De acordo com Sebastião Silva, muitas instituições optam por dispensar professores com mais tempo de carreira para contratar jovens professores, porém em um número mais reduzido e com salários menores: “Optam por profissionais mais novos e com salários à margem do ideal. Para findar o raciocínio do lucro a qualquer preço, organizam, ainda, salas com 70 estudantes. É um número absurdo dentro de uma sala de aula. Isso prejudica o rendimento de todos”, destaca o presidente.

 

O fator ‘EAD’

O avanço de polos educacionais a distância (EAD) também contribui para potencializar o cenário de cortes de professores em Bauru e em todo o País. Pelo viés da alta lucratividade, essa modalidade acompanha os ataques aos direitos trabalhistas da categoria docente, já que as instituições de ensino optam pela forma para potencializar receita.

Para o sindicato, mais uma vez, paga-se mal o professor diante de um faturamento alto, com centenas de alunos online. “Ainda, infelizmente, professores acabam vendo-se obrigados a assinar um termo de cessão de imagem, que dá a instituição o pleno uso das vídeo-aulas em qualquer momento. Inclusive, quando esse professor for cortado, no futuro, sem pagar nenhum centavo a mais para o profissional que deixou o conteúdo gravado”, alerta o presidente.

 

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