Federação dos Professores do Estado de São Paulo, 18 de abril de 2024

5 de abril de 2023

05/04 – Rodada de assembleias no Superior, as críticas à reforma do Ensino Médio, escolas particulares e secretários de Estado reclamam da suspensão da reforma. E mais, Paulo Freire: documentário inédito resgata história que deu origem ao método de alfabetização

.

[addthis tool="addthis_inline_share_toolbox_whwi"]

Ensino Superior terá rodada de assembleias em todo o Estado! Vamos discutir e deliberar proposta patronal para seu reajuste salarial e direitos. Veja aqui a data, hora e local (ou formato, presencial ou remota) da assembleia do Ensino Superior na sua região.   https://bit.ly/3TIVaYE

 

Escolas particulares avaliam entrar na Justiça contra suspensão da reforma do ensino médio  A Fenep, federação que representa as escolas particulares, estuda entrar na Justiça contra a decisão do ministro da Educação, Camilo Santana, de suspender o cronograma de implementação do novo ensino médio e de mudanças no Enem.

Segundo Celso Niskier, presidente da Abmes (associação das mantenedoras do ensino superior), o fórum que representa as entidades do setor vai se reunir nesta quarta (5) para tomar uma posição sobre o caso.

Na opinião de Elizabeth Guedes, [irmã do ex-ministro Paulo Guedes] e presidente da Anup (associação das universidades particulares), a decisão do governo representa um retrocesso provocado por mera imposição política.

Para Mauro Aguiar, membro do conselho consultivo da Abepar (Associação Brasileira das Escolas Particulares) e diretor do Colégio Bandeirantes, a situação gera insegurança, não só para escolas, mas também para professores, famílias e o próprio ministério. Painel S/A, Folha de S. Paulo  04/04  https://bit.ly/3MmJ31w

 

MEC trava cronograma, mas Novo Ensino Médio segue nas escolas com impacto na preparação para o Enem – As mudanças provocadas pelo Novo Ensino Médio continuarão valendo nas salas de aula mesmo após o Ministério da Educação (MEC) suspender – ainda que temporariamente – o cronograma de implementação da medida. Nesta terça-feira (4), o ministro da Educação, Camilo Santana, confirmou a decisão que vale ao menos enquanto um grupo de trabalho avalia o tema.G1 04/04  http://glo.bo/3U8CWzV

 

Secretários estaduais de Educação criticam suspensão do novo ensino médio – Secretários estaduais de Educação divulgaram uma nota conjunta nesta terça (4) contra a suspensão da implementação do novo ensino médio e da reforma do Enem, principal porta de entrada dos estudantes para o ensino superior.

A principal consequência prática dessa decisão é em relação às mudanças no formato do Enem. O prazo atual de implementação da reforma culmina com um novo formato do exame em 2024, quando a primeira turma completa os três anos da etapa no novo modelo.

Os secretários defendem que “qualquer decisão relacionada ao tema” só seja tomada após a finalização da consulta pública aberta pelo Ministério da Educação. A discussão deve ser concluída em 90 dias – prazo que é prorrogável. Valor Econômico 04/04  http://glo.bo/3KbNCJw

 

As críticas que levaram governo Lula a suspender cronograma do Novo Ensino Médio – Em junho do ano passado, uma carta aberta assinada por mais de 300 entidades — veja aqui  — pediu a revogação da medida.

A principal consequência prática dessa decisão é em relação às mudanças no formato do Enem. O prazo atual de implementação da reforma culmina com um novo formato do exame em 2024, quando a primeira turma completa os três anos da etapa no novo modelo. Segundo o documento, ela foi implementada pelo governo de Michel Temer e “ganhou continuidade natural no governo de extrema-direita e de viés conservador de Jair Bolsonaro”.

‘Itinerários’: expectativa versus realidade – Fernando Cássio, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e integrante do comitê diretivo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, critica particularmente os itinerários ao citar um estudo da Rede Escola Pública e Universidade (Repu), da qual faz parte, relacionando o leque reduzido de disciplinas eletivas na rede pública à falta de condições materiais (salas de aula disponíveis, equipes docentes).

Débora Goulart, professora do departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), critica o que considera falta de “pensamento crítico” em algumas dessas novas disciplinas.BBC Brasil 04/04  https://bbc.in/3U9FvS4

 

Entenda o novo ensino médio
O que é – Política aprovada em 2017, por medida provisória, durante Michel Temer (MDB), definiu que parte da carga horária seria escolhida pelos estudantes para que pudessem aprofundar os conhecimentos na área de maior interesse

Estrutura – Ampliou o número de horas de aulas anuais obrigatórias para a etapa, passando de 800 para ao menos 1.000. Assim, a carga horária total do ensino médio foi ampliada em 25%, de 2.400 para 3.000 horas, sendo:
– 60% reservados para a carga horária comum, com as disciplinas regulares
– 40% formados por optativas dentro de cinco grandes áreas do conhecimento, os chamados itinerários formativos

Limitações – Ao longo dos três anos da etapa, o tempo dedicado às disciplinas tradicionais não pode ultrapassar 1.800 horas. Como antes as escolas tinham 2.400 horas para distribuir as aulas das matérias comuns, na prática, o teto reduziu o tempo dedicado exclusivamente para disciplinas como matemática, português, história e geografia

Definição de itinerários e disciplinas – A lei diz que as redes de ensino têm liberdade para definir quais itinerários e disciplinas querem criar, desde que estejam dentro de uma das cinco áreas do conhecimento estabelecidas

Para quem vale – Todas as escolas públicas e privadas do país. Cerca de 7 milhões de estudantes foram impactados com a política, a maioria deles (cerca de 85%) estão matriculados em escolas das redes estaduais de ensino

Prazos – A lei estabeleceu um prazo de cinco anos para as redes de ensino se prepararem, seguindo o seguinte cronograma:
– 1º ano do ensino médio em 2022
– 2º ano em 2023
– Todos os três anos da etapa até 2024
Muitas redes, no entanto, começaram a implementação antes, como a rede estadual paulista, que iniciou o processo em 2021

 

 

SINDICATOS

A greve dos professores e professoras do Recife continua e reivindica negociação – Por unanimidade, a categoria de professores e professoras do Recife decidiu continuar a greve em uma assembleia-vigília realizada na manhã desta terça-feira (04).  A luta é pelo cumprimento da Lei Federal 11.738/08 que garante a implementação do piso salarial na carreira dos professores (as).  O índice indicado pelo MEC para 2023 é de 14,95% com rebatimento na carreira. A prefeitura do Recife apresentou apenas 7,5% e o restante pagos em uma única parcela e em forma de bônus. Folha de Pernambuco  04/04  https://bit.ly/434zoTb

 

Rede estadual de Educação mantém greve no Rio Grande do Norte – Ao recusar as propostas do governo do Rio Grande do Norte com relação ao Piso Salarial 2023, um reajuste de 14,95%, a rede estadual resolveu continuar em greve por tempo indeterminado. A decisão foi tomada em Assembleia realizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do RN (Sinte/RN) na tarde desta terça-feira (4). Saiba Mais RN04/04  https://bit.ly/3Mj6rNn

 

 

Filme resgata história que deu origem ao método Paulo Freire em Angicos
Folha de S. Paulo  04/04
https://bit.ly/3U8kwPK

Documentário, exibido nesta quarta em evento dos 60 anos de nascimento do método de alfabetização de adultos, será ampliado até o final de 2023

Há 60 anos, o educador Paulo Freire dava início a um experimento na pequena cidade de Angicos, no sertão do Rio Grande do Norte, que marcaria sua biografia e trajetória intelectual para sempre.

Foi lá que o filósofo testou e lapidou seu método de alfabetização de jovens e adultos que previa ensinar a ler e escrever em 40 horas a partir de palavras e situações do cotidiano local.

 

O sucesso desse laboratório pedagógico serviu de base para a teoria do conhecimento de Freire apresentada em obras que ganharam o mundo, como a célebre “Pedagogia do Oprimido” (1968), terceiro livro mais citado em ciências sociais no planeta, segundo estudo da London School of Economics (LSE), do Reino Unido.

Num tempo em que analfabetos não tinham direito a voto no Brasil, o resultado do processo emancipatório freiriano em Angicos produziria um índice revelador: ao final das 40 horas de aula, 300 alunos do curso se inscreveram para votar na zona eleitoral da cidade potiguar, que até então tinha apenas 800 eleitores cadastrados.

O êxito da experiência, que rendeu a Freire um convite do então presidente João Goulart para nacionalizar a iniciativa a partir do Ministério da Educação e Cultura, também gerou temores e desconfianças.

Depois do golpe de 1964, o governo militar prendeu Freire e encerrou abruptamente o projeto em Angicos. Rumores de que os alunos seriam igualmente perseguidos levaram os recém-letrados a queimarem cadernos e livros para que não restasse nenhum rastro de seus tempos de estudante.

Nos últimos anos, o educador foi tratado como inimigo público pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seu entorno. Neste ano, o governo paulista de Tarcísio de Freitas (Republicanos), alinhado ao bolsonarismo, decidiu mudar o nome de uma futura estação da linha 2-verde de Paulo Freire para Fernão Dias. O Ministério Público foi acionado e uma petição pública tenta reverter a medida.

Mas é sobre a revolução educacional semeada naquele sertão de que trata o documentário “Fonemas de Liberdade”, da diretora norte-americana Catherine Murphy. O filme será exibido em Angicos nesta quarta-feira (5) durante as comemorações da experiência sexagenária.

A celebração dos 60 anos de Angicos terá a presença de ex-alunos do projeto pioneiro de Freire e de educadores que coordenaram as primeiras 40 horas de aulas no local, então batizadas de Círculos de Cultura. Muitos deles assistirão a seus próprios depoimentos para o documentário numa tela de cinema pela primeira vez.

“No mundo da educação e, em especial, da alfabetização de adultos, todos os caminhos levam a Paulo Freire”, afirma a documentarista, que está no Brasil para aprofundar a investigação sobre o experimento de Angicos em um segundo filme sobre berço do método freiriano.

“A obra de Paulo Freire é tão influente em todo o mundo, e em áreas tão diversas quanto saúde pública e teatro, que me pareceu importante entender concretamente qual foi o trabalho de base realizado por ele nas comunidades antes de publicar seus livros”, explica Murphy.

 

Entre a concepção e a realização de “Fonemas de Liberdade”, no entanto, teve uma pandemia. E a emergência da Covid-19 inviabilizou o cronograma de viagens e entrevistas para o filme.

Murphy havia participado de uma conferência internacional em Juazeiro do Norte (CE) no final de 2019, quando apresentou seu filme “Maestras”, sobre as jovens professoras que atuaram na Campanha de Alfabetização de Cuba em 1961. Por analogia, o debate após a sessão foi sendo conduzido para o trabalho de base de Paulo Freire, declarado em 2012 patrono da educação brasileira.

“Muita gente na plateia havia trabalhado com Freire no seu retorno do exílio, em 1979, e emergiu a queixa de que não havia um filme de igual porte sobre as origens do método freiriano”, relata. “Eu, na hora, me comprometi a trabalhar com eles no projeto de um documentário sobre o tema”, lembra ela, que em 2004 fundou a produtora The Literacy Project, voltada à investigação de projetos de alfabetização na América Latina.

Deixe seu comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Copyright © 2018 FEPESP - Todos os direitos reservados.

Desenvolvido por: PWI WebStudio