Fepesp - Federação dos Professores do Estado de São Paulo

terça-feira, 4 de abril de 2023

Por Beth Gaspar em 4 de abril de 2023

04/04 - Suspenso o novo Ensino Médio, suspensa a mudança no Enem. Hora de conferir o novo salário na Educação Básica. A espionagem de estudantes no ensino remoto. E mais: Educação é um negócio da China

 

Ensino Superior – novas assembleias estão sendo convocadas em todo Estado: veja no site do seu sindicato a data, hora e local (ou link) para deliberar sobre proposta do patronal, reajuste e direitos. Encontre o seu sindicato aqui:  https://fepesp.org.br/sindicato/

 

Governo Lula vai suspender implementação do novo ensino médio e mudanças no Enem  Pressionado por críticas crescentes de educadores e estudantes, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai suspender a implementação do novo ensino médio. Uma portaria deve ser publicada nos próximos dias com a alteração do cronograma para as mudanças.

Essa suspensão ocorrerá, inicialmente, no período previsto para a consulta pública sobre o tema. Iniciada em março, a consulta tem 90 dias de duração, com possibilidade de prorrogação, e mais 30 dias para o MEC (Ministério da Educação) elaborar um relatório que vai definir o futuro da política.

A alteração do cronograma não anula a reforma, mas tira a obrigatoriedade das redes de ensino de continuarem processo de implementação durante esse tempo, na avaliação de integrantes da equipe do MEC. Folha de S. Paulo  03/04  https://bit.ly/431luRL

 

Pressionado, Ministério da Educação decide adiar mudanças no Enem - O Ministério da Educação (MEC) finalizou uma portaria para suspender o cronograma de implementação do novo ensino médio após pressão crescente de educadores e estudantes. O documento, a ser assinado pelo ministro da Educação, Camilo Santana, nos próximos dias, interrompe a implementação do novo ensino médio do país no primeiro e segundo ano de ensino ainda em 2023, e suspende a necessidade de adaptação do Enem ao novo formato em 2024. Correio Braziliense 03/04  https://bit.ly/432eZyb

 

Frear mudanças no Enem evita maiores prejuízos aos estudantes, avaliam entidades - Ao suspender o cronograma de implementação do novo ensino médio, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai frear mudanças que estavam previstas para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2024. Na avaliação de entidades da área, adiar as alterações vai evitar maiores prejuízos aos alunos diante da indefinição com essa etapa de ensino.

A principal consequência prática dessa decisão é em relação às mudanças no formato do Enem. O prazo atual de implementação da reforma culmina com um novo formato do exame em 2024, quando a primeira turma completa os três anos da etapa no novo modelo. Folha de S. Paulo 03/04  https://bit.ly/40WR01E

 

EDUCAÇÃO BÁSICA

É hora do reajuste da Educação Básica; se não receber, denuncie imediatamente - Professoras e professores da Educação Básica, fiquem atentas e atentos: os salários de março devem ser pagos até a próxima quinta-feira, dia 06 de abril (quinto dia útil do mês), já com o reajuste de 6,09%. E atenção também: se a escola não pagar a PLR (Participação nos Lucros e Resultados) ou abono, que em 2023 é de 18%, em outubro, o percentual de reajuste agora é diferente: 7,59%, a partir de março também.

A diretoria do Sindicato já montou também uma logística e está pronta para, a partir do recebimento das denúncias, colocar em prática todas as medidas políticas e jurídicas para cobrar as escolas caloteiras – que serão inclusive anunciadas publicamente – e fazer valer o direito de professoras e professores. SinproSP  03/04  https://bit.ly/3GfunO6

 

ESPIONAGEM NO EAD

Sites de apoio escolar monitoraram e coletaram dados de alunos durante a pandemia, aponta Human Rights Watch - Sites utilizados por alunos da rede pública durante a pandemia, coletaram dados de crianças e adolescentes brasileiros e os repassaram para empresas de publicidade e marketing digital. É o que aponta uma investigação da organização internacional Human Rights Watch. Entre as plataformas investigadas, estão dois sites criados pelas secretarias de educação de Minas Gerais e de São Paulo.

A investigação conduzida pela Human Rights Watch em novembro de 2022 e revisada em janeiro de 2023 descobriu que sete sites educacionais extraíram e enviaram dados de crianças e adolescentes para empresas terceirizadas, usando tecnologias de rastreamento projetadas para publicidade. Os sites são: Estude em Casa, Centro de Mídias da Educação de São Paulo, Descomplica, Escola Mais, Explicaê, MangaHigh e Stoodi. Um oitavo site, Revisa Enem, enviou os dados de crianças e adolescentes para uma empresa terceirizada, porém sem usar rastreadores específicos de anúncios. Human Rights Watch  03/04  h https://bit.ly/40Q9q42

 

Dados de estudantes em ensino remoto eram enviados para empresas de publicidade - Segundo a HRW, os sites não monitoraram os estudantes "apenas" dentro das salas de aula virtuais, mas em todo o período em que eles navegavam pela internet, colhendo informações sobre a vida privada de crianças e adolescentes. Ainda de acordo com o relatório, os estados e as empresas não "divulgaram plenamente as suas práticas de rastreamento, que permanecem invisíveis para usuários". G1  03/04  http://glo.bo/3m4k88a

 

VIOLÊNCIA EM ESCOLAS

Após ataque em escola, deputado propõe revista nas mochilas dos alunos - O deputado federal Marangoni (União-SP) propôs projeto de lei que permite a revista de alunos em escolas públicas e particulares. O texto autoriza a inspeção de malas, mochilas e maletas dos estudantes do ensino fundamental e médio.

Pela proposta, podem ser revistados estudantes na entrada ou durante a permanência nas dependências das escolas. FSP via O Tempo  02/04  https://bit.ly/3K6OYoF

 

Após casos de violência, projeto na Câmara prevê instalação de detectores de metais e portas giratórias em escolas de Limeira - Uma vereadora protocolou na Câmara de Limeira (SP) um projeto que prevê a implantação de detectores de metais e portas giratórias em escolas públicas e privadas.

Na última semana, a parlamentar apresentou um projeto que tratava apenas das escolas municipais e, no dia 30, retirou ele e protocolou um mais abrangente, que engloba também as escolas estaduais e particulares do município. G1  01/04  http://glo.bo/3KcYLcS

 

SINDICATOS

Centrais propõem política de valorização do salário mínimo para os próximos 25 anos - As centrais sindicais formalizaram nesta segunda-feira (3) ao governo sua proposta para uma política de longo prazo – 25 anos – para valorização do salário mínimo. Ou seja, não apenas para o atual governo, mas até 2053. Com reajuste pelo INPC, aumento real equivalente ao PIB mais um “piso” e revisão da aplicação das medidas a cada 10 anos. O documento foi entregue ao ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.

Apenas para os três próximos anos, até o final do mandato do governo Lula, a proposta das centrais preserva fórmula utilizada nos governos Lula e Dilma, com acréscimo no ganho real (acima da inflação). Assim, em 2024, 2025 e 2026 o salário mínimo seria reajustado pelo INPC do ano anterior e o percentual do PIB de dois anos antes mais 2,40%. Rede Brasil Atual  03/04  https://bit.ly/3MfRaNf

 

 

Educação é um negócio da China
Valor Econômico  04/04
https://bit.ly/40GmfxZ

Artigo, por Andrea Jubé: ‘O professor é um sábio respeitado na sociedade chinesa’

O professor Luiz Gustavo Nússio, ex-diretor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) e titular do departamento de Zootecnia há quase três décadas, surpreendeu-se certo dia quando, ao entrar em um táxi em Pequim, o motorista, ao observá-lo atentamente, perguntou-lhe: “O senhor é professor?” Nússio estava de terno e gravata.

Naquele dia, ele sentiu na pele o que já havia apreendido após a mudança para o país asiático, onde vive há nove meses: o profundo respeito que os chineses nutrem pelos profissionais da educação, em especial, professores universitários. No Brasil, ao entrar em um táxi ou carro de aplicativo trajando terno e gravata, o motorista provavelmente perguntaria se ele era advogado, executivo de empresas ou político.

“A China revelou-se para mim e para minha família uma sociedade muito educada, são acolhedores, gentis”, disse Nússio em conversa com a coluna. “Estamos aprendendo sinais importantes da cultura chinesa: um deles é o respeito ao professor universitário”.

Segundo o professor, que é engenheiro agrônomo de formação, esse respeito às vezes soa excessivo, mas está relacionado com princípios que a China segue, como o de que “uma pessoa sábia tem valor na sociedade”.

O professor é uma figura tão respeitada na China, que Mao Tsé-Tung, líder da revolução chinesa e fundador da República Popular da China, declarou ao jornalista americano Edgar Snow, em 1965, que passara a deplorar o culto à personalidade. Disse que todos os títulos concedidos à sua pessoa deveriam ser erradicados, mas gostaria de conservar apenas um: o título de “professor”.

É fato que durante a Revolução Cultural na China, nos anos de 1960, sob a liderança de Mao, o governo fechou universidades, exilou professores e queimou livros. Mas essa página foi virada, e a realidade atual deveria inspirar o Brasil, que vivencia o outro extremo na educação.

Na semana passada, brasileiros assistiram perplexos às cenas em que um adolescente de 13 anos matou a facadas uma professora da escola estadual Thomazia Montoro, em São Paulo.

Não foi um caso isolado. Um levantamento de pesquisadores da Unicamp e da Unesp mostrou que a média de ataques a escolas que era a cada dois anos, passou a ser mensal.

Num ambiente de violência que se agravou com a pandemia, a maioria das escolas públicas agoniza com estrutura deficiente, salários humilhantes e ausência de assistência psicológica. Nesses locais, alunos de famílias vulneráveis tendem a reproduzir o clima de agressividade que vivenciam em casa.

Espera-se que nesse momento de estreitamento dos laços do Brasil com a China, mais do que acordos comerciais, um saudável intercâmbio também viabilize mais troca de experiências na área de educação. Não apenas em conteúdo, mas no aspecto cultural, na valorização dos professores.

Luiz Gustavo Nússio coordena uma “joint college” entre a Esalq-USP e a China Agricultural University - duas das cinco melhores escolas de agronomia do mundo. Trata-se de uma pós-graduação em nível de mestrado, de dupla titulação, onde os alunos brasileiros e chineses recebem aulas em inglês de professores das duas nacionalidades. São duas linhas de pesquisa: agronomia e melhoramento de plantas, e administração pública ligada à agricultura.

O êxito da parceria entre a USP e a escola de agricultura chinesa levou o governo chinês, principal financiador do programa, a expandi-lo, de modo que as duas linhas de pesquisa devem se transformar em quatro a partir de 2024.

Num cenário de intensificação dos negócios na área de agricultura e pecuária entre Brasil e China, Nússio aponta a oportunidade e a estratégia do programa entre a instituição brasileira e a chinesa: “esse programa busca treinar pessoas para um ambiente qualificado no futuro, fazendo com que as negociações entre Brasil e China, especialmente na área de agricultura, possam ser melhoradas com a chegada de um pessoal que tem treinamento qualificado para esse ambiente”.

Na semana passada, o acordo de cooperação entre as duas instituições, em vigor desde 2010, foi renovado pela quarta vez. Trata-se deu um acordo de cooperação científica e tecnológica, que envolve áreas como transferência de tecnologia, mudança climática, cidades inteligentes, mobilidade, entre outros. O enfoque para os próximos quatro anos é preservação de florestas, clima, bioenergia e bioeconomia.

Em suma, Brasil e China têm uma pauta de acordos comerciais que talvez seja a mais profícua do mundo. Mas do ponto de vista de integração cultural, científica e acadêmica, ainda fazem pouco juntos. “A distância geográfica é um problema, mas quando brasileiros e chineses se conhecem, paulatinamente, vão entendendo que são países amigos e têm muito em comum”, concluiu o professor.

  • Andrea Jubé é jornalista e advogada, começou a acompanhar de perto os bastidores políticos em Brasília em 2007. Desde 2013, é repórter da editoria de Política do jornal Valor Econômico.

 

China proíbe lucro com a educação e bilionários veem fortunas derreterem - A China divulgou novos regulamentos que proíbem empresas que oferecem conteúdo de currículo escolar de obter lucro, captar fundos ou abrir o capital. As medidas representam outro revés para Chen, cujo patrimônio encolheu mais de US$ 15 bilhões desde o fim de janeiro diante da desvalorização das ações da Gaotu. O maior controle da China sobre o setor de aulas particulares e educação online, que movimenta de US$ 100 bilhões, atingiu investidores como Tiger Global Management e Temasek, já que as plataformas perderam a capacidade de abrir o capital, dificultando a saída dos investidores e banindo o capital estrangeiro do segmento. Bloomberg via Money Times  26/07/21  https://bit.ly/3U5WTay

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