9 de outubro de 2018| , , , , ,

DIA DO PROFESSOR: FILMES E SÉRIES PARA COMEMORAR E REFLETIR

O Professor foi retratado várias vezes no cinema; sempre ligado às ideias de liberdade, pensamento crítico e empatia.

Na TV ou no cinema, o professor tem sido uma rica fonte de inspiração para filmes e séries que buscam compreender como é a missão que encanta tantos profissionais na formação dos mais jovens. Neste roteiro, indicamos mais de uma dezena de filmes e séries que discutem, divertem e nos ajudam a pensar sobre a vida da professora e do professor neste período em que destacamos o Dia do Professor. Veja nossas indicações:

1 | Preciosa: Harlem, Nova York, 1987. O filme conta a dramática história de Claireece “Precious” Jones: aos 16 anos, grávida pela segunda vez de seu próprio pai, a garota sofre agressões físicas e psicológicas diárias da mãe, é vítima de bullying devido ao peso na escola e, ainda, não sabe ler e nem escrever. Expulsa da escola por conta da gravidez, Claireece consegue vaga em uma instituição alternativa, e encontra a professora Rain. Então, pela primeira vez, Preciosa experimenta um pouco de afeto, tratamento humanizado e como é “fazer amigos”. O mito de que o ambiente familiar é intocável no que concerne à formação moral e cívica do indivíduo é questionado, com as interferências da professora diante dos absurdos sofridos pela garota. Discute-se os limites de atuação e negligência das escolas de massas nos locais domésticos de violência, e se vislumbra a possibilidade de recuperação por parte de agentes externos e preocupados, como os professores que se engajam.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=LY9GCzqGNmI

 

2 | Sociedade dos Poetas Mortos: John Keating é um professor de Literatura na conservadora Academia Welton – conhecida pela formação de excelência de jovens norte-americanos em profissões mais tradicionais e aceitas socialmente por seus pais, já bem-sucedidos, como Medicina ou Direito. Através da poesia, o docente restaura o lúdico no pensamento dos alunos, estimula a capacidade crítica e a autonomia – faculdades tão afetadas pelas amarras do mecanicismo pedagógico em 1959. Liberta-os do embrutecimento de uma só possibilidade de vida. No decorrer do filme, alguns garotos começam um clube secreto, onde leem poesia, dramatizam performances tétricas e divagam sobre seus amores; nasce a Sociedade dos Poetas Mortos, propriamente. Belíssimo, o filme é repleto de referências às obras clássicas, pauta o exercício docente como gênese da emancipação cidadã, e é um marco para a filosofia cinemática que encena o novo.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=EXw77BkVqyA

 

3 | O sorriso de Monalisa: Outra obra que se passa nos anos de 1950, O Sorriso de Monalisa conta a história de Katherine Watson – uma jovem professora de Artes – quando é contratada por uma escola conservadora, feita só para mulheres. Lá, ministram aulas de oratória, postura e cursos para aprender a cruzar e descruzar as pernas. Na trama, uma enfermeira é expulsa simplesmente por dar um método contraceptivo a uma aluna, sob a desculpa de que a estava induzindo à “promiscuidade”. Há, na primeira camada do filme, a discussão sobre o papel performático da mulher na sociedade estadunidense, refém das relações de mãe e esposa; todavia, mais sentidos se abrem conforme adentramos a narrativa, um quase exercício de futurologia sobre o que feminismo chegaria na atualidade, através de uma analogia sutil entre o papel da mulher e o conceito de obra de arte.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=OQOl06lchN4

 

4 | A voz do coração: Um compositor sem reconhecimento possui uma grande sensibilidade para ensinar, é capaz de perceber as potencialidades de seus alunos. Quando é contratado por um orfanato para ser professor e inspetor, Clément Mathieu comove-se com as subtramas das crianças esquecidas, rotuladas de “casos perdidos”. Se algum dos garotos comete algum ato considerado ruim, é obrigado a trabalhar na limpeza, apanha ou fica um tempo na solitária; a conjuntura simboliza um presídio. Clément então monta um coral com o propósito de resgatá-los; o uso da música, como um atalho, conota a formação de um diálogo entre o professor e os meninos. O filme francês coloca em discussão os conceitos de disciplina, punição, medo no fazer pedagógico, e conduz o espectador magistralmente com uma linda trilha sonora.

Link: https://gloria.tv/video/zDHbFkCEsk4b4jDU43ktHqbf8

 

5 | Escritores da Liberdade: Baseado nos acontecimentos de The Freedom Writers Diaries (best-seller), o filme é de agosto de 2007, e foi sucesso de crítica e público assim que chegou aos cinemas. Erin Gruwell é uma professora recém-formada – o que nos sugere uma utilização desta imagem de jovem profissional para remeter ao amor ainda idealista, esperançoso e capaz de mover o mundo com ações – e dá aulas para o primeiro ano do Ensino Médio de uma escola periférica na Califórnia; Inglês e Literatura. Seus alunos são desobedientes e desmotivados, filhos de famílias desestruturadas. A história apetece por levantar questionamentos quanto à necessidade de criação de vínculos sociais entre grupos distintos, até barreiras étnicas, e esse dever, uma espécie de instinto mediador com resultante na coesão e tolerância social, é um dos mais importantes papeis do pedagogo em sala de aula.

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=pfwzLDj0yzM

 

6 | O Substituto: “Alguns de nós acreditamos que podemos fazer a diferença”, diz Henry Barthes, professor-protagonista do filme francês, em determinado momento. Mas não é assim que começa. Há um problema de tradução, pois no original, a palavra inglesa “detachment” traduz-se como “desapego” ou “distanciamento”, mas também “indiferença”. O mote é interessante e tem referências do pensamento filosófico-literário do existencialismo de Camus: um professor que somente faz substituições, sem nunca assumir de fato uma vaga fixamente, é chamado uma escola em estado de abandono total. Por parte dos outros docentes distanciados e sem apego à profissão; estudantes sem esperança quanto à vida, à validade da instituição escolar; e pais omissos, ausentes das tarefas de monitoria das atividades de seus filhos. O giro no enredo acontece quando Henry se vê em situações na vida de seus alunos em que distanciar-se, como sempre fez, se aproximaria de negligência; como professor é possível interferir.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=Q56IneXPCVk   

 

7 | Anne: A série da Netflix é uma adaptação do antigo best-seller de 1908 “Anne of Green Gables”, de Lucy Maud Montgomery. Clássico da literatura canadense, a história da pequena protagonista cruza com a história de vida da autora; ambas falam sobre o poder da imaginação na mente de uma criança privada de saúde social, deslocada de seu lugar de origem e forçada à adaptação dificultosa em novas terras. A rotina de Anne na escola nos convida a olhar pelos olhos de uma pequena garota frente às adversidades sedimentadas no mundo adulto e que escorrem para a dimensão infantil, pensar sobre o bullying, preconceito de classe e feminismo, temas atuais e necessários para discutir o convívio extra e intra-escolar.

Trailer (Netflix): https://www.youtube.com/watch?v=bBervTlBurY

 

8 | O Começo da Vida: Descobertas recentes na ciência emaranharam o datado contraste ambiente x genética além da percepção polar. Neste documentário, foram colhidas entrevistas com especialistas em psicologia infantil e pedagogia, com imagens intercaladas de pais e crianças de nove países e quatro continentes. O longa-metragem começa destacando o papel de importância que o ambiente exerce nos primeiros anos dos recém-nascidos – a primeira infância, o quão acolhedora essa chegada ao mundo deve ser. Todavia, o ponto é que a natureza humana é medial, um ser que só se dá a partir do Outro, ser de relações; o relacionamento com a brincadeira, com os pais, com as histórias lúdicas. O posto do adulto, seja dos pais, pedagogos ou qualquer um que esteja na vida do recém-nascido, é garantir que sua vinda aconteça de maneira acolhedora para o pleno desenvolvimento emocional e cognitivo.

Série, Netflix: https://www.netflix.com/br/title/80107990

 

| A Máscara em que você vive: Disponível na Netflix, este documentário indaga sobre o que é a Masculinidade, e o porque da construção atual do conceito estar intimamente ligada ao machismo, violência, uso de drogas e suicídio. A grande pergunta por trás, aos poucos, vai tomando forma conforme o longa avança: “O que é ser homem, afinal? ”. Um professor de escola pública ensaia resposta ao reunir oito de seus alunos, todos meninos entre 13 e 16 anos, para que usassem máscaras de papel. Então cada um escreveria as próprias impressões que tem de si: o que acreditam transmitir aos outros e o que escondem.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=I1OI9B0VSlA 

 

10 | Escola de Rock: Tudo bem, nem todos os filmes são feitos com grandes mensagens por trás, com grandes projetos discursivos. Alguns apenas desejam divertir, como é o caso de Escola de Rock. Sem dinheiro para pagar o aluguel, após ser expulso de sua banda, um guitarrista decide se passar por professor de música substituto em uma escola primária. Se no começo, Finn, o “professor” procrastina as aulas, ao perceber que seus alunos têm acuidade e proficiência com os instrumentos, decide ensinar rock’ n’ roll, de olho no concurso de bandas da cidade. O que acontece é a descoberta, por parte do protagonista, sobre ensinar música como paixão.

Link (Netflix): https://www.netflix.com/br/title/60031226

 

11 | Entre os muros da escola: Apesar de ser um filme que retrata uma turma de alunos periféricos na França, encaixa bem na realidade de nossas instituições de ensino brasileiras. Escolas públicas tratadas com descaso e falta de verba, violência dentro da sala de aula e hostilidade com o docente são alguns pontos de semelhança. François Marin é o professor que lida com toda a gama de dificuldades postas entre ele e os alunos. O filme nos põe a pensar como a dinâmica do ensino é influenciada pelas interjeições de uma vida difícil, como há aspectos multifatoriais na aprendizagem dos alunos, e as medidas que um pedagogo deve superar para alcança-los.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=rBXlPg7nj-Y

 

12 | Mr. Holland – Adorável Professor: Holland almeja o estrelato através da música, como maestro. Quando passa por dificuldades financeiras, planeja trabalhar como professor por apenas quatro anos. Aos poucos, ao contrário do que pensou inicialmente, começa a se interessar pelas idiossincrasias de cada aluno, de modo que desenvolve uma didática baseada nos gostos musicais particulares. Este filme mostra a luta de um professor no processo de inclusão e construção de identidade cidadã para os garotas e garotas; e também o quão gratificante pode ser para um professor estar eternamente presente na memória de um aluno.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=hyHmZ8ZhH6s

 

13 | A Onda: Um professor deve lecionar sobre política, especificamente autocracia – um sistema em que o governante detém o poder de maneira central. Decide, então, apresentar na prática como uma ditadura se concretiza na população: cria uma experiência de fascismo na própria turma. O Nazismo é, hoje, assim tão distante; aprendemos com todos os nossos erros históricos enquanto humanidade ou a vida é um constante exercício de memória coletiva? São alguns dos pontos abordados pelo filme. Durante o processo, os alunos se sentem cada vez mais impactados, e toda a gama de suas relações passa por um profundo deslocamento. A didática do filme revela a sedução da ideologia fascista e discute a noção de pertencimento em determinados grupos sociais extremistas e violentos.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=QBKEi8qamKM

 

14 | Merlí: Série catalã produzida pela TV3 que alcançou sucesso através da Netflix, conta a história de um professor de filosofia que tenta, através da didática do divertimento, demonstrar como o estudo filosófico pode ser apaixonante quando apresentado fora do esquadro comum de ensino. É uma ótima série para discutir como a matéria é vista com defasagem atualmente, porque o filósofo é considerado como improdutivo numa sociedade de fórmulas prontas de raciocínio. Foucault, Butler, Descartes, e inúmeros outros pensadores modernos e contemporâneos são citados nos episódios. Aos não iniciados, mas que se interessam pelo tema, se sentirão seduzidos pela série.

Netflix: https://www.netflix.com/br/title/80134797

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