8 de dezembro de 2020|

COC, Dom Bosco: sistemas de ensino à venda

Educação? Não, negócios: britânicos da Pearson não estavam ganhando dinheiro com as apostilas, puseram tudo à venda .

por Beth Koike
Valor Econômico

 

A britânica Pearson está negociando a venda dos sistemas de ensino COC e Dom Basco, material didático usado por 250 mil alunos e que juntos têm receita de cerca de R$ 200 milhões, segundo o Valor apurou.

O negócio é avaliado entre dez e doze vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), diz uma fonte.

Entre os grupos participantes do processo estão a Vasta, braço de prestação de serviços de educação básica da Cogna, e a Arco Educação – ambas as companhias possuem ações na Nasdaq, bolsa americana, e estão capitalizadas para investir em expansão.

Os sistemas de ensino COC e Dom Bosco pertenciam ao Grupo SEB que, há dez anos, vendeu esses ativos, incluindo o sistema de ensino do Pueri Domus, à Pearson por R$ 888 milhões – foi um dos maiores negócios do setor na época. Em 2017, Chaim recomprou o sistema de ensino do Pueri Domus e fechou um acordo prevendo que continuaria utilizando os sistemas do COC e do Dom Bosco por mais cinco anos. Na transação fechada em 201O com a Pearson, o SEB continuou com os colégios que levam as marcas dos sistemas de ensino e, atualmente, tem a maior rede de escolas privadas do país.

Logo após a aquisição dos sistemas de ensino, a Pearson promoveu uma forte reestruturação desse negócio, cresceu, mas nos últimos anos deixou de investir na operação, que vem perdendo alunos. A companhia britânica só possui sistemas de ensino no Brasil, não há sinergias com as demais operações do mundo.

A empresa vem se desfazendo de alguns dos negócios adquiridos por altas cifras no passado. Em 2017, vendeu as franquias de cursos profissionalizantes Microlins, SOS e People, adquiridas quatro anos antes. Esses ativos pertenciam ao Grupo Multi, que também era dono das escolas de idiomas Wizard, Yázigi e Skill (estas continuam nas mãos da Pearson). O negócio todo foi comprado por quase R$ 2 bilhões.

 

Britânicos da Pearson caem fora da COC/Dom Bosco mas ficam com Wizard, Yazigi e Skill: afinal, de inglês eles entendem um pouco mais

 

O foco do grupo britânico no Brasil será seu negócio de idiomas, composto pelas escolas e livros didáticos. Essa operação representa a maior parte de sua receita.

A Pearson contratou o banco J.P. Morgan para intermediar a transação, que está em sua fase inicial.

No mundo, a britânica também vem promovendo uma reestruturação em seu negócio, concentrando-se mais na área digital. No primeiro semestre, a Pearson apurou queda de 18% em sua receita para 1,8 bilhão de libras e teve prejuízo operacional de 23 milhões de libras, ante um lucro 144 milhões de libras registrado um antes.

Procurada pela reportagem, a Pearson informou que não comenta rumores ou especulações de mercado. “Como uma empresa que atende milhões de alunos em todo o mundo, a Pearson está comprometida em tomar as melhores decisões corporativas para garantir que nossos parceiros, professores e alunos continuem tendo acesso à melhor educação possível”, segundo comunicado.

 

E os negócios não param:

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