Fepesp - Federação dos Professores do Estado de São Paulo, 17 de outubro de 2024

Por Beth Gaspar em 22 de outubro de 2018

Saúde mental de professores se agrava com desvalorização, baixos salários e falta de estrutura

Reportagem Sul 21 

Não é de hoje que a docência é considerada uma das profissões com maior índice de adoecimento mental, o que é confirmado por estudos brasileiros e internacionais. Em 2015, segundo a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), a educação aparecia com o terceiro maior índice de afastamento entre as secretarias estaduais, com 30%. De acordo com a pesquisa, baixos salários, péssimas condições de trabalho e violência nas escolas são os principais fatores que colaboram para o sofrimento mental dos professores.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta a categoria docente como sendo a segunda a apresentar mais doenças ocupacionais. Um estudo realizado no Paraná, em março deste ano, mostra o sofrimento mental como o problema de saúde mais citado pelos professores estaduais: 29,73% da categoria relatou alguma forma de adoecimento como depressão, ansiedade e estresse, entre outros.

O Sindicato dos Professores da Rede Privada do Rio Grande do Sul lançou, em 2016, uma cartilha contendo estudos sobre a saúde mental dos docentes. O documento aponta que “o sofrimento na docência ocorre, por exemplo, diante de conflitos nas relações, da longa e exaustiva jornada de trabalho, da diversidade e complexidade das atividades, das dificuldades inerentes às relações em sala de aula, da desvalorização salarial, da progressiva desqualificação e do escasso reconhecimento social de seu trabalho”.

Segundo o estudo, entre os anos 2009 e 2013, somaram-se 2.100 auxílios-doença e/ou aposentadorias por invalidez concedidas na região Sul do Brasil a professores da rede privada, o que representa 62% entre os afastamentos por adoecimento mental.

Para os professores estaduais do RS, o Centro dos Professores do Rio Grande do Sul (Cpers/Sindicato) considera que os últimos quatro anos têm sido especialmente complicados, pois os servidores vêm sofrendo com atrasos e parcelamentos salariais que já completam 34 meses. A entidade está realizando um levantamento em todo o Estado sobre as condições da saúde mental dos profissionais, mas o estudo ainda não foi concluído.

A categoria afirma que os casos de afastamento e ansiedade vêm aumentando nos últimos anos. Além disso, para aqueles que já sofrem com algum tipo de doença, o atraso nos salários também dificulta a compra de medicamentos.

 

Posição do Estado

A Secretaria de Educação do Estado não informou se conta com algum programa de apoio aos professores e disse não ter um levantamento de docentes afastados por adoecimento mental, pois esses dados são de responsabilidade do departamento de Perícia Medica da Secretaria de Modernização Administrativa e de Recursos Humanos (SMARH). O Sul21 entrou em contato nesta quinta-feira (18), mas, até o fechamento da reportagem, não obteve resposta por parte da SMARH.

 

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