Fepesp - Federação dos Professores do Estado de São Paulo

Por Beth Gaspar em 16 de fevereiro de 2023

16/02 - Maioria desconhece mudanças do chamado ‘Novo Ensino Médio’, o reajuste das bolsas de mestrado e doutorado, o protesto dos sindicatos contra as taxas de juros altas, e mais: em artigo, autora defende que ‘ensino médio no Brasil é eugenista’

Novo Ensino Médio: pesquisa indica que maioria não sabe o que mudou, o que será do ensino. Especialistas não dão trégua, e determinam que a lei do Novo Ensino Médio seja revogada, em favor de uma educação democrática e cidadã.

 

 

 

População desconhece mudanças trazidas pelo novo ensino médio - O novo ensino médio começou a ser implementado nas escolas brasileiras, públicas e privadas, no ano passado. Entretanto, pesquisa do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Serviço Social da Indústria (Sesi) sobre as mudanças que estão sendo realizadas aponta que 55% da população estão pouco ou nada informados sobre o modelo e apenas 15% estão informados ou muito informados.

“Estamos diante do desafio de uma formação cidadã, que incorpore também a formação de valores democráticos, não apenas de acesso ao conhecimento. E isso tem que ser feito com muito diálogo”, diz Paulo Carrano professor da Faculdade de Educação e coordenador do grupo de pesquisa Observatório Jovem, em entrevista à Agência Brasil. Agência Brasil  15/02  https://bit.ly/3E8xINx

 

MEC e trabalhadores começam a debater a reconstrução da educação no país - Comissão de representantes dos trabalhadores da educação apresentou conjunto de reivindicações ao ministro Camilo Santana. Entre elas, medidas para garantir mais recursos para o setor e o arquivamento da educação domiciliar e da lei da mordaça

A pauta contemplou também aspectos que o MEC tem o dever de direcionar, dirigir e articular com os estados, municípios e Distrito Federal. E ainda a estrutura de financiamento para o setor. “Tratamos da EC 95, do teto de gastos, que ataca o orçamento da educação. E queremos discutir a reforma tributária para obter recursos para o setor, bem como a atuação do MEC para evitar mecanismos que retirem recursos da educação básica”, disse, referindo-se à mudança nas regras do ICMS feita no governo de Jair Bolsonaro, com aval do MEC, que retirou recursos do Fundeb nos municípios e nos estados. Rede Brasil Atual  15/02  https://bit.ly/3S3rKTY

 

Bolsas de pós-graduação: presidente do CNPq defende reajuste anual para mestrado e doutorado - Ricardo Galvão, presidente do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) é a favor de que as bolsas de pós-graduação tenham reajuste anual, mantendo o poder aquisitivo de pesquisadores.

As bolsas sofrerão um reajuste de 40% no valor e será anunciado pelo governo Lula nesta quinta-feira (16). Estadão  15/02  https://bit.ly/3S68Qff

 

Inscrições para o Sisu começam nesta quinta (16); tire dúvidas - As inscrições vão até o dia 24, e o resultado será divulgado no dia 28. Aos aceitos no programa, as matrículas nas universidades serão de 2 a 8 de março.

O sistema faz a seleção dos estudantes com base na nota obtida no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Neste ano, a divulgação das notas foi feita no último dia 9.. Folha de S. Paulo  15/02  https://bit.ly/3Eecy0N

 

Após veto de Tarcísio, Unicamp deixa de exigir passaporte de vacina para alunos e funcionários- Após o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) vetar a exigência do comprovante da vacinação contra a Covid em São Paulo, a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) decidiu abandonar a exigência para seus alunos, professores e funcionários.

Unesp ainda não definiu se manterá a obrigatoriedade de imunização contra Covid para a comunidade acadêmica. Folha de S. Paulo  15/02  https://bit.ly/3k2E8qN

 

SINDICATOS

 

Centrais Sindicais protestam contra a alta taxa de juros - Entidades sindicais, movimentos populares e partidos políticos realizaram, nesta terça-feira (14), em dez cidades do país, manifestações contra a autonomia do Banco Central e os juros altos. Os protestos começaram pela manhã com um tuitaço nas redes sociais. A mobilização seguiu durante o dia em frente às sedes do BC, em capitais como Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Brasília.

As críticas foram principalmente contra a taxa básica de juros, a Selic (de 13,75% ao ano), e a dependência do Banco Central ao capital financeiro especulativo. Rádio Peão Brasil 15/02  https://bit.ly/3lGGbRZ


Pesquisa mostra que para 76% dos brasileiros Lula acerta ao combater os juros altos -
Seis em cada 10 brasileiros acreditam que terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ser melhor que o governo Bolsonaro, de acordo com pesquisa Genial Quaest divulgada nesta terça-feira (14). Além disso, 76% dos entrevistados dizem que Lula acerta em combater os juros altos no Brasil. Nas últimas semanas, ele comprou uma briga pública com o presidente do Banco Central (BC). Lula tem afirmado que a taxa básica de juros – a Selic – em 13,75% ao ano é uma “vergonha” e atrapalha o desenvolvimento do país. Rede Brasil Atual  14/02  https://bit.ly/3k2wGMl

 

O NEGÓCIO DA EDUCAÇÃO

Ex-reitor da Unicamp vai presidir o Insper - O físico argentino naturalizado brasileiro Marcelo Knobel assume o novo posto em 1º de março e quer expandir a área de pesquisa. Ele ocupará a vaga de Marcos Lisboa que, após dez anos no Insper, oito dos quais na presidência, decidiu sair. Valor Econômico  14/02  http://glo.bo/3xps3iw

 

INTERIOR

Campinas: Educação polariza discussões e aquece polêmicas na Câmara Municipal - A educação tem pautado discussões acaloradas na Câmara Municipal de Campinas e promete alimentar novas polêmicas na sessão da noite desta quarta-feira (15). Há requerimentos para instalação duas Frentes Parlamentares: a da Escola Cívico-Militar, proposta pelo vereador Nelson Hossri (PSD), e a da Escola Sem Partido, de autoria de Marcelo Silva (PSD). Na segunda-feira (13), a vereadora Mariana Conti (PSOL) acrescentou diversidade aos debates ao apresentar um Projeto de Lei para instituir o “Programa Escola sem Fascismo” – um contraponto às proposituras de Hossri e Silva. Jornal Hora   15/02  https://bit.ly/3k9CXWu

 

 

Artigo: ‘ O ensino médio no Brasil é eugenista’
Correio da Cidadania 15/02
https://bit.ly/3Kcb0rK

O caso de fraude nas Lojas Americanas reabre nossas preocupações com a educação pública no Brasil. Por que? Por Marta Bellini

Porque Lemann, um dos empresários envolvido na má gestão dessas lojas e, provavelmente, da Ambev, foi o principal envolvido no projeto de privatização do ensino médio com a Base Nacional Comum Curricular, a BNCC.

A conta é simples. O ensino médio sofreu uma mudança curricular. Uma parte dos conhecimentos universais saiu, tais como filosofia, história, cultura e entrou a educação financeira, ideologia do empreendedorismo de si mesmo.

O estudante perde as disciplinas que o formam para exercer sua cidadania e “ganha” disciplinas sem lastro social e da cultura humana. São disciplinas de coach que prometem a riqueza se você “pensar” como o patrão. O Paraná fez isso com as disciplinas Educação Financeira. Os assessores de ensino do governador copiaram o livro Sem ética e sem moral. Os apreciadores de reformas de extrema direita como essa que veio dos EUA, da década de 1980, era Reagan, propagam que o estudante pode ser o patrão dele mesmo, empregado dele mesmo, tendo a produção e a venda por ele mesmo.

Isso é possível? Não. Se fosse possível Lemann não seria apenas patrão e não ameaçaria quarenta mil empregados em poucas horas por um erro seu.

A reforma da BNCC veio da cópia da reforma de 1983, quando empresários inventaram a crise da educação e puseram os professores e professoras como inimigos da educação. O Instituto Lemann e seus aliados e empresas brasileiras como o Itaú, Natura e outras usaram o relatório “Uma nação em risco”, redigido pela Comissão Nacional de Excelência em Educação, conforme Bastos, em 2017.

Está nesse relatório a redução do currículo às disciplinas sem os conhecimentos universais; tentaram privatizar a educação. Como? Vendendo-as pelas escolas privadas.

Sobre as disciplinas que faltarão aos alunos, as escolas privadas receberão um voucher dado aos pais para pagarem os patrões.

Essa reforma BNCC, aprovada em 2020, foi privatizar por dentro o ensino do Ministério da Educação. Os donos de escolas obterão lucro do dinheiro público. O MEC é um dos ministérios com os maiores recursos financeiros.

A reforma do ensino médio matou todas as lutas dos educadores. Do Manifesto dos Pioneiros, em 1930, e sua exigência de um ensino de ciências real na escolarização das crianças e jovens, à 2020, com a votação do Banco Nacional Comum Curricular, o Brasil passou por décadas de luta para ter as ciências e outros campos disciplinares no mesmo patamar que outros países.

Ao longo das décadas de 1930, 1970 e da década de 1990 com a Lei de Diretrizes e Bases e com os Parâmetros Curriculares Nacionais, a BNCC, tão esperada pelos educadores brasileiros, nada mais é do que um documento elaborado e votado por empresários da educação em aliança com o capital financeiro para aniquilar todas as conquistas de um ensino na formação de jovens do país.

São mais de 60 anos de história e de batalhas para organizar um currículo pensado conhecendo a inteligência da criança e do jovem, suas culturas dos aprendizes, seus interesses, significações e representações, estudando as diferentes realidades circundantes, a ambiental, a sociológica, a filosófica, a das cidades e suas populações, a do país, entre outras vivenciadas por docentes e alunos.

Ainda há, no ensino médio, a possibilidade de a carga horária ficar entre 800 a 1000 horas quando o estabelecido, por lei, é de 1800 horas. Qual ou quais disciplinas ficarão fora do currículo? Os estudantes devem escolher cinco disciplinas ou áreas. Mas as escolas terão essas opções? Teremos todas as opções em escolas distantes de grandes centros? Lembremos também, o direito dos jovens de ter domínios de conhecimento não apenas para a profissão como prescreve a BNCC, mas para outros campos da vida.

Os empresários brasileiros impuseram duas estratégias nesse negócio na educação: o eliminacionismo educacional, em segmentos da população que serão moralmente condenados, por serem irrelevantes para o capital, de acordo com Bastos. A isso chamo de eugenia. A exclusão dos conhecimentos, a exclusão social e a morte existencial em um país diminuem, propositalmente, as chances da parte empobrecida da população brasileira.

A segunda estratégia é o cercamento financeirizado, primeiramente imposto pelas corporações mundiais e aceito pelos governos pelos países coagidos pelo Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional. Nesse percurso, o Instituto Lemann, mediante sua influência no governo e no Conselho Federal de Educação, infligiu a redução das escolas públicas e o não concurso de docentes desde 2016 com o teto de gastos de 20 anos no Brasil.

O mesmo empresário das Americanas que fez um rombo de “apenas” R$40 bilhões tem as mãos na BNCC. Quanto dinheiro e recursos materiais vazarão do MEC para a educação privada no Brasil? Como estaremos daqui a dez anos? Como as Lojas Americanas? Milhares de estudantes sem formação no ensino médio porque correm para serem empreendedores e a escola não importa mais?

Última pergunta, mas não a menos importante: Por que o atual Ministro da Educação não corta esse eugenismo que permanece em seu ministério?

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