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TV Fepesp Especial: Pesquisa Fepesp/Datafolha

28/11/2016
Fepesp

NOVAS TECNOLOGIAS AUMENTAM O VOLUME DE TRABALHO DO PROFESSOR

Pesquisa inédita indica que no ensino superior privado de São Paulo maioria dos professores fica ligado ‘24 horas por dia’ e não é pago por isso. Ensino a Distância aumenta alcance mas não resolve dúvidas do estudante, tutor deve ter a mesma formação do professor na matéria.

Seis em cada dez professores da rede privada de ensino superior do estado de São Paulo afirmam que houve um aumento do volume de trabalho com o uso de tecnologias digitais como complemento de suas atividades docentes. Aproximadamente noves entre dez professores consideram que o uso de tecnologias digitais fora de sala de aula consome seu tempo de alguma forma (45% deles afirmam que ‘consome muito tempo’) e, entre aqueles, quase dois terços declaram que não são remunerados pela instituição de Ensino Superior por este tempo gasto no atendimento aos alunos.

Estas conclusões são parte de pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Datafolha a pedido da Federação dos Professores do Estado de São Paulo-Fepesp. A pesquisa (“Uso de Tecnologia Dentro e Fora de Salas de Aula”) ouviu 806 professores de ensino superior na rede privada em todo o estado, lecionando em universidades, centros universitários ou faculdades isoladas. O objetivo da pesquisa foi o de conhecer os efeitos da introdução de novas tecnologias na atividade dos docentes, incluindo os métodos de educação a distância (EaD). O trabalho de campo foi realizado entre 21 de setembro e 5 de outubro. O nível de confiança da pesquisa, segundo o Datafolha, é de 95%. A distribuição de entrevistas foi proporcional ao número de professores de forma a representar as regiões dos sindicatos associados à Fepesp, observando-se  maior concentração entre docentes na Grande São Paulo.

“A pesquisa confirma a percepção de que a jornada do professor no ensino superior se estende além do período em sala de aula e não é compensada de forma apropriada”, diz Celso Napolitano, presidente da Fepesp. “O professor não desliga. Trabalha cada vez mais, e não é remunerado por isso”, diz.

Os professores entrevistados, na sua maioria (83%), visualizam pontos positivos na agilidade e facilidade de comunicação, além do aumento das fontes de pesquisa proporcionado pelo uso de tecnologias digitais. Por outro lado, a pesquisa indicou preocupação dos professores com o “aumento da dispersão dos alunos em sala de aula, pelo uso de redes sociais”, bem como pelo fato de “terem que estar à disposição dos alunos o tempo todo, 24 horas por dia”, segundo o Datafolha. Entre os entrevistados, 65% indicaram que “o tempo com utilização de tecnologia não é pago” pela instituição de ensino superior.

Ensino a Distância - A pesquisa ainda investigou a introdução do Ensino a Distância e o papel do tutor nesse sistema. Os professores demonstraram enxergar valor no EaD, porém ainda estão “distantes” e “percebem que falta aprimorar as técnicas e materiais” utilizados. Os professores reconhecem que o Ensino a Distancia “permite aumentar o alcance do ensino a quem antes não tinha acesso” (87% das respostas), mas discordam que o ensino via EaD tenha tanta eficácia quanto o ensino presencial: 81% não concordam que “o aluno retém mais conteúdo em EaD do que em ensino presencial” e 76% discordam que os alunos têm menos dúvidas com a introdução do EaD.

Tutor - É prática nas instituições de ensino superior que o Ensino a Distância ou cursos semipresenciais sejam acompanhados por tutores, um profissional que ainda não tem seu perfil regulamentado pelos órgãos oficiais de educação ou pelas instituições de ensino. A pesquisa Fepesp-Datafolha também procurou investigar a percepção dos professores de São Paulo a esse respeito.

É praticamente uma unanimidade entre os entrevistados (91%) que “o acompanhamento de EaD por tutores precisa ser aperfeiçoado” e 87% responderam acreditar que “tutores devem ter formação acadêmica equivalente à do docente na mesma matéria”. Para 68% dos entrevistados, a tutoria com o “acompanhamento de EaD deveria ser exclusivo aos docentes”.

Outras conclusões da pesquisa Fepesp-Datafolha:

Qualidade:

  • “As tecnologias parecem não atingir questões qualitativas relacionadas à aprendizagem - embora aumentem o volume de comunicação, facilitem controles e disponibilizem mais informações aos alunos”.
  • A qualidade do ensino não evoluiu com EaD. Os professores consideram falsas as afirmações de “alunos têm menos dúvidas com EaD” (76%) ou que “alunos retêm mais conteúdo com EaD” (81%).

Alcance:

  • 77% das instituições de ensino superior privado no estado oferecem alguma modalidade de EaD E 59% cursos semi presenciais. Nas instituições que oferecem EaD, 37%dos professores entrevistados já trabalharam com disciplinas semi presenciais.

Apoio de EaD:

  • 50% dos docentes já elaboraram conteúdo para disciplinas em EaD.
  • 35% dos docentes já foram tutores em EaD.
  • 66% dos docentes precisam se adaptar ao material oferecido como EaD.

Tecnologia em sala de aula:

  • Equipamentos mais utilizados em sala de aula: Datashow (96%), Notebook (84%), Intranet (66%), computador de mesa (65%), diário eletrônico (61%) e o próprio smartphone (60%).
  • Redes sociais mais utilizadas: WhatsApp (74%), Facebook (62%), Messenger (39%), Moodle (38%).
  • Grande parte da comunicação é realizada por meio do uso de e-mail pessoal e da instituição (46%), de forma diária (36%) ou semanal (50%). 
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