17 de novembro de 2017
 
 
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Carta enviada por um professor sobre as desculpas do Sesi/Senai em não negociar as nossas reivindicações

17/03/2016
*Professor do Sesi/Senai de São Carlos
 
Recebemos, no último dia 16, uma carta de um professor do Sesi que comenta sobre as desculpas do patronal em negociar as nossas reinvindicações. A atitude do docente é louvável e demonstra que, assim como em São Paulo, a categoria está mobilizada.
 
Segue a carta do professor:
 
"Tendo em vista a nossa campanha salarial de 2016 e a mobilização e a dureza com que o SESI está tratando esta questão, resolvi fazer algumas reflexões e pesquisar algumas informações a respeito da defesa que a instituição faz, enumerando pontos "positivos" para não ceder à pressão dos professores. Em nota divulgada nas escolas, o SESI deixa claro quais são suas propostas, suas razões e como tem valorizado os professores nos últimos dez anos. Coloco a proposta do patrão e abaixo as razões pelas quais elas não são tão boas assim:
 
Manutenção das cláusulas sociais nas condições atuais
 
Acredito que essa já é uma grande perda para a nossa classe. Na última reunião que tivemos, gastamos tempo pensando em itens que poderiam ser mudados no acordo coletivo para o próximo biênio – por exemplo, a questão da hora-tecnológica, pois acreditamos que alguns pontos ainda podem ser melhorados. Um sindicato como o nosso sempre luta por avanços em cláusulas e direitos e nunca para a simples manutenção. Como todos sabemos, no momento atual, no qual há uma enorme desestabilidade política e econômica, com tendências mais para pior do que para melhor e isto inclui as condições de trabalho de povo, apenas manter condições é um passo para trás. Em um plano de fundo com essas características, a luta deve ser mantida, pois ninguém sabe ao certo o que virá daqui para frente.
 
A proposta é que o SESI fará a correção salarial em duas vezes, a primeira em Março e a segunda somente em Setembro, respeitando os índices de inflação do último ano, ou seja, 10,5%.
 
Colegas de trabalho, essa jogada de dividir o aumento é sempre ruim. Sempre. Quando se faz isso, o aumento não é mais de 10,5%, pois durante seis meses (metade do ano), nós não teremos aumento total e os preços do mercado, do sacolão e da farmácia sobem gradualmente, mês a mês – não em duas vezes. Esse índice já é um acumulado do ano passado, se adiarmos mais ainda este aumento, por seis meses estaremos no vermelho. Não vejo motivo para que o aumento seja dado desta forma, afinal, o que vai acontecer que daqui seis meses o SESI terá mais dinheiro em caixa para dar a outra parte do aumento? No mesmo documento, eles dizem que a situação só melhorará daqui 2 ou 3 anos, portanto, qual é a diferença para eles? Nós que sentiremos a diferença desses seis meses perdidos sem aumento.
 
As razões para a proposta foram as seguintes:
 
-Queda de 7% na arrecadação da indústria para este ano:
Ora, que houve uma queda na arrecadação todos nós sabemos! Quem foi mandado embora sabe melhor ainda! Não houve um corte dramático de despesas no ano passado por causa destes mesmos 7%? Será que vão usar este número até quando? Mandam profissionais competentes embora por este motivo e não querem dar aumento para quem ficou pelo mesmo motivo? Algo não está bem explicado aí...
 
-Inflação acima de 10%, onerando nossos gastos operacionais:
Claro que a inflação onera gastos. É por isso que estamos brigando! E se a inflação foi acima de 10% para o sistema S, para os trabalhadores também! Nossos “gastos operacionais” que incluem colocar combustível no carro (que não aumentou somente 10%), comprar comida, cuidar dos filhos e todo o resto também estão acima deste número. O SESI se faz de vítima da situação assim como nós, para não dar aumento para nós (sei que parece confuso, mas esta razão também foi para mim).
 
-A folha de pagamento representa 75% das nossas despesas:
Ué... não foi assim sempre? Este é um dado, não uma argumentação válida para não haver aumento. Em toda empresa, a folha de pagamento é o grosso das despesas.
 
-Exigência do Governo Federal de que o Sistema S como um todo, e o SESI e o SENAI em especial, assuma parte das suas responsabilidades de qualificação de trabalhadores e de políticas públicas, pressionando ainda mais os nossos custos.
Eu não sei quem escreveu essas razões, mas essa aqui foi alguém do SINPRO. Essa razão é, na verdade, a nosso favor. Então o SESI e o SENAI não querem assumir suas responsabilidades de qualificação com os trabalhadores? Trabalhar por aqueles de onde sai o dinheiro é um peso? É motivo para não aumentar o salário da ponta da lança de todos esses serviços? O que ocorre é que, na verdade, o Governo, principalmente o MEC, na gestão do Fernando Haddad como ministro da educação lá em 2005, exigiu que o sistema S abrisse o livro da contabilidade. Depois de muita luta por parte da FIESP para que isso não acontecesse, ficou estabelecido que até 2015 67% dos cursos oferecidos pelo sistema S deveriam ser gratuitos – a FIESP ganhou nos outros 33%. Isso é fácil de ser observado, já que os cursos no SENAI a noite são pagos e a maioria dos cursos do SENAC, por exemplo, são cobrados. Se já há recolhimento de imposto das indústrias para movimentar todo o sistema, por que ainda se cobra? O resultado foram as demissões em massa do ano passado, já que o prazo limite – 2015 – se esgotou.
 
-Imperiosa manutenção financeira...
Não vou nem comentar uma razão que começa com “imperiosa” – parece nome de cruzeiro da MSC. Valorização dos professores e professoras nos últimos anos
 
-16% de aumento real nos últimos dez anos:
Parece que eles deram porque são bonzinhos. Ai se nós não tivéssemos brigado por isso! Essa é uma conquista nossa, não deles.
 
-Correção de 15% do salário nos últimos três anos:
Outra vez uma conquista nossa.
 
-Sólidos investimentos em treinamento:
Pois é, agora é por adesão, sem ganhar nada e conta no PREP (o que eu também acho bem errado). Estamos brigando pelo que vem e não pelo treinamento oferecido em anos anteriores. “Somos seus profissionais bem melhores capacitados. Obrigado”.
 
-Construções de novas escolas e reforma em escolas antigas:
Não vou nem entrar em como isso serviu de “politicagem”. Apenas pergunta pra galera do 106 há quantos anos eles estão lá no quintal da igreja e se o 108 tem UM laboratório para os alunos. Ah, essas escolas lindas e maravilhosas ficam fechadas a tarde e não oferecem mais EJA.
 
-Política salarial justa e adequada colocando a remuneração de todos e todas em patamares muito superiores às escolas públicas e privadas em todo o Estado de São Paulo: 
Concordo! Essa eu concordo! Mas da nossa parte também, haja trabalho para dar conta de tudo que nos pedem...
 
-Plano médico de excelentes condições:
Também concordo com esse item, porque com a saúde do jeito que tá no Brasil...
Então é isso, colegas de trabalho. Acredito que podemos brigar ainda mais por um aumento real no nosso salário. O SESI está pressionando por todos os lados, mas temos razões justas para pedir mais. Não estamos sendo egoístas, apenas queremos AUMENTO, pois esta é a razão de haver reuniões, mobilizações e dissídio. O dissídio é pra isso e o sindicato tem o dever de nos representar bem nesta que é a principal luta dos trabalhadores do SESI e SENAI. "
 
*O docente pediu para não ser identificado 
 
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