14 de setembro de 2020| , ,

Ser compra Laureate e demonstra: educação superior privada, que ótimo negócio!

Aquisição tem valor estimado em 4 bilhões de reais, inclui pagamento a vista de 1,7 bilhão de reais pela Ser, o recebimento de dívida líquida de 623 milhões de reais e entrega de 44% das ações da nova companhia à Laureate.

A rede de ensino superior Ser Educacional anunciou no domingo, 13/09, a compra das faculdades da Laureate por 4 bilhões de reais, apresentando mais uma prova de que educação superior, no Brasil, é um grande negocio e que tamanho em Educação é documento. A Ser controla uma série de instituições de ensino superior no Norte-Nordeste (Uninassau, Uninabuco, Univeritas, Unama e Uninorte) e a Laureate, no Brasil, é dona da Anhembi Morumbi, FMU, UnP e Uniritter.

Em maio, após passar a utilizar um software de inteligência artificial para a correção de atividades dos alunos, a Laureate demitiu cerca de 120 professores dos cursos de graduação na modalidade de educação a distância. Segundo a instituição, as demissões eram parte de plano de reestruturação.

Atrás de Cogna (Kroton, Anhaguera, Somos), YDUQS (rede Estácio) e Unip, a Laureate é o quarto maior conglomerado educacional do Brasil, com 200 mil alunos e receita líquida de R$ 2,2 bilhões de março de 2019 a março de 2020. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) no período foi de R$ 413 milhões, com endividamento líquido de R$ 623,3 milhões.

 

Está tudo no livro – A Fepesp já demonstrou que o interesse das grandes corporações por grandes negócios com a educação tem mais a ver com dinheiro em caixa e lucratividade do que com qualidade de ensino – está tudo neste livro, ‘O Negócio da Educação’ (veja aqui: https://bit.ly/3mgploV). E as grandes corporações continuam a provar o que dissemos, como a agora demonstra a Ser ao comprar as operações da norte-americana Laureate no Brasil.

“Desde que o governo passou a financiar as mensalidades de quem busca um diploma, através do FIES, as notícias de Educação saíram das páginas especializadas em Ensino e passaram a ser assunto para as áreas de Finanças”, indica a apresentação do livro da Fepesp. “A educação superior privada no Brasil tornou-se um grande negócio”.

A compra ainda deverá ser aprovada pelo CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que analisa concentração de mercado e concorrência desleal. Por esse motivo a universidade Cruzeiro do Sul, que pelo noticiário de finanças estaria também interessada no negócio, teria desistido da Laureate, a operações das duas redes está concentrada em São Paulo e não passaria pelo pente fino do CADE. Em julho, a Unicsul, também gulosa por lucros, demitiu 35% de seus professores e agora enfrenta o Sinpro SP na Justiça do Trabalho.

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