25 de novembro de 2019| , ,

RS: maior greve defende dignidade de docentes

Maior greve que se tem noticia paralisa escolas no Rio Grande do Sul, docentes exigem respeito e pagamento de salários

Mais de 1.500 escolas estão paralisadas – total ou parcialmente – no Estado do Rio Grande do Sul. Os docentes entraram em greve na segunda-feira, dia 18, em protesto contra decisão do governo estadual em congelar salários e taxar professoras e professores já aposentados.

“Nosso poder de compra foi reduzido em mais de 1/3 desde o último reajuste, corroído pelo inflação. Estamos há 47 meses com os salários parcelados e atrasados, sem dinheiro para ir trabalhar, acumulando empréstimos e escolhendo entre comer e pagar as contas”, resume a professora Helenir Schürer, presidente do CPERS, o sindicato de professoras e professores na rede publica do Estado.

 

Docentes no Rio Grande do Sul: defesa da dignidade da profissão

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Essa é a uma das maiores greves dos últimos anos no estado. Há cinco anos eles recebem seus salários parcelados e viram suas condições de trabalho serem ainda mais precarizadas sob o governo de Eduardo Leite (PSDB-RS).

O governador soltou circular interna determinando corte de ponto de professores em greve. Em nota oficial, o Sindicato dos Professores e Funcionários de Escola do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS-Sindicato), declarou ser ilegitima a ação de Leite:  “O STF já definiu, em julgamentos em 2006 e 2007, que a autorização do corte de ponto conforme a Lei Geral da Greve (7.783/89) não se estende aos casos em que houver atraso salarial”.

Nesta terça-feira, 26/11, professoras e professores se reúnem em praça publica – porque o sindicato é pequeno para os dez mil docentes que se espera na assembleia – para fazer seu balanço e decidir a continuidade do movimento.

 

Nota de apoio – Os sindicatos integrantes da Fepesp acompanham a mobilização dos professores gaúchos e já enviaram seu apoio ao CPERS-Sindicato. Veja a nota a seguir:

 

SOLIDARIEDADE ÀS PROFESSORAS
E PROFESSORES DO RIO GRANDE DO SUL

O sucesso da mobilização de professora e professores nas escolas públicas do Rio Grande Sul demonstra a disposição da categoria em defender sua dignidade contra a prepotência e descaso do Estado.

A Federação dos Professores do Estado de São Paulo, em nome dos seus 25 sindicatos integrantes, manifesta sua solidariedade ao CPERS e aos seus representados, na defesa da educação de qualidade, do respeito a quem prepara nossas futuras gerações e da legitimidade do sindicato na representação do interesse dos docentes.

A resistência de professoras e professores do Rio Grande do Sul é exemplo para todos, neste período sombrio da nossa história.

Força, companheiras e companheiros!

Fepesp – Federação dos Professores do Estado de São Paulo

 

 

A greve é um grito de socorro para salvar a escola pública

por Helenir Aguiar Schürer*

Mais de 10 mil educadores abandonaram a rede estadual desde 2014. São profissionais que não se aposentaram. Saíram do chão da escola por óbito, dispensa ou opção. Os dados são da Secretaria da Fazenda, compilados pelo Dieese. Não é de se surpreender.

 

Professora Helenir: não ao massacre do Estado

Sobrevivemos a cinco anos de massacre. Nosso poder de compra foi reduzido em mais de 1/3 desde o último reajuste, corroído pelo inflação. Estamos há 47 meses com os salários parcelados e atrasados, sem dinheiro para ir trabalhar, acumulando empréstimos e escolhendo entre comer e pagar as contas.

Enquanto padecemos, bancos registram lucros recordes, grandes empresas recebem o benefício da sonegação premiada e obtêm isenções fiscais bilionárias. Fecham-se escolas para abrir prisões.

Neste cenário, o governador nos oferece o mesmo remédio amargo, testado e reprovado múltiplas vezes. Mais arrocho, extermínio de direitos, congelamento salarial por tempo indeterminado e confisco de dinheiro dos aposentados. Quem tem menos paga cada vez mais para sustentar a injustiça.

Não há qualquer novidade na tentativa de reforma, se não a dimensão da crueldade. Ao incorporar vantagens ao salário básico, o governo mascara o pagamento do piso nacional. Trata-se de uma farsa contábil. Se os projetos passarem, quem pagará o piso no Rio Grande do Sul será o próprio trabalhador da educação, sem receber um centavo a mais.

Eduardo Leite prometeu tornar a carreira mais atrativa. Na prática, projeta uma diferença salarial de 7% entre o profissional com Ensino Médio e o educador com Doutorado. No plano atual, o crescimento é de 100% no básico. Quem, em sã consciência, vai ingressar no magistério ou buscar qualificação com esse descalabro? Não somos escravos.

Enviamos, no prazo determinado pelo governo, documento elencando as razões para a rejeição do pacote. Não tivemos respostas ou convite para dialogar. O mesmo já havia ocorrido neste ano, quando, após iniciar uma mesa de negociações para tratar da pauta salarial, o Piratini abandonou o diálogo e passou a ignorar ofícios do CPERS solicitando a retomada.

A greve é o último recurso de qualquer categoria, única alternativa ao esgotamento da negociação. É um grito de socorro para salvar a escola pública e os sonhos de milhões de gaúchos que dependem de uma educação gratuita e de qualidade. Resistimos para não deixar de existir.

* Presidente do CPERS/Sindicato e professora da rede estadual há 33 anos

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