Federação dos Professores do Estado de São Paulo, 28 de outubro de 2021

5 de outubro de 2021

Com a letra do próprio Paulo Freire

Manuscrito estava perdido. A Editora e Livraria Paulo Freire preparou documento com o manuscrito da obra, comentado e com contexto histórico.

05O livro Pedagogia do oprimido chegou à 50.ª edição em Português. Curiosamente, ele não foi publicado, pela primeira vez, nesse idioma, mas, em inglês. É praticamente impossível acompanhar o número de edições nos demais países e nas diversas línguas em que já foi traduzido.
Certamente, é uma das obras brasileiras mais traduzidas e editadas no exterior.

 

Veja aqui em formato PDF : Pedagogia do Oprimido, o manuscrito.

 

Há muito vínhamos acalentando o sonho de realizar e publicar, em fac-símile, os originais dessa obra, sabendo que os manuscritos estavam em poder de Jacques Chonchol e de Maria Edy, em Santiago do Chile. Ele, vice-presidente do Instituto de Desarrollo Agropecuario (INDAP)
do ministério da Agricultura do Governo Eduardo Frei Montalva (1964-1970) e Ministro da Agricultura do Governo de Salvador Allende (1964- 1970). Ela, brasileira, Maria de Oliveira Ferreira Chonchol, conhecida intimamente como “Maria Edy”, esposa de Jacques Chonchol Chait.

Na ocasião da oferta e entrega da obra, praticamente “diagramada a mão”, Chonchol era o “chefe” de Paulo Freire que, ao aportar em Santiago, fora trabalhar no INDAP e, posteriormente, nos últimos dois anos de sua permanência naquele país andino, no Instituto Chileno de Reforma
Agrária (ICIRA), órgão misto das Nações Unidas e do governo chileno.

Depois de cinco anos no Chile, o casal Freire sairia daquele país, deixando para trás uma amizade profunda com o casal Chonchol, passando quase onze meses na Universidade de Harvard, os Estados Unidos e, depois, estabelecendo-se em Genebra, para trabalhar no Conselho Mundial de Igrejas. Regressou ao Brasil dez anos mais tarde, ao completar 16 anos de exílio.

Em 1968, Paulo Freire estava receoso de que seu livro fosse confiscado – corriam boatos de que forças da inteligência chilena estaria atrás da obra “subversiva e perigosa”.

No final da vida, o Patrono da Educação Brasileira manifestou desejo de rever os manuscritos, tendo mesmo a intenção de escrever a Jacques Chonchol para obter uma cópia. Faleceu logo depois, sem realizar esse sonho. Muito tempo depois, em 2001, quando o ex-ministro chileno participava do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, Lutgardes Freire, José Eustaquio Romão e Moacir Gadotti encontraram-no, por acaso, iniciando as primeiras conversações no sentido de terem acesso aos manuscritos da obra seminal de Paulo Freire. Combinou-se, então, com o ex-ministro que um emissário iria a Santiago do Chile, em data oportuna, para tirar uma cópia dos originais da Pedagogia do oprimido.
Ainda em 2001, o Professor Adriano Salmar Nogueira e Taveira foi recebido em Santiago por Jacques Chonchol e Maria Edy, na própria residência do casal, de lá trazendo, finalmente, a tão esperada fotocópia autêntica dos já quase mitológicos manuscritos.

A partir daí, o Instituto Paulo Freire fez algumas copias, das quais se extraiu a matriz que deu origem a esta publicação.

Nos originais, não foram encontrados, nem o titulo do livro, nem títulos de seus quatro capítulos, coincidindo com o que aconteceu com as edições brasileiras até a 17ª. edição (1987), revista pelo próprio Freire. Nelas, só apareciam, no início de cada um de seus capítulos, os temas
destacados por ele. No capítulo três, só aparecia o numeral romano “III”.

Os manuscritos começam com a conhecida epígrafe: “Aos esfarrapados do mundo e aos que neles se descobrem e, assim descobrindo-se, com eles sofrem, mas, sobretudo, com eles lutam”.

 

 

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