16 de dezembro de 2017
 
 
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SESI VILA LEOPOLDINA: FORÇA POLICIAL, PARA QUÊ?

02/10/2017

'AQUI NÃO HÁ BANDIDO:
HÁ ALUNOS, PROFESSORES E FUNCIONÁRIOS'

Professores e funcionários do Sesi/Vila Leopoldina, surpreendidos com ação policial abusiva
nas dependências da sua escola, procuram sua organização sindical. Após reunião de professores no Sindicato, emitem nota de repúdio reproduzida abaixo. A direção fo Sesi foi chamada a reunião da Comissão de Acompanhamento, que será na quinta-feirta, dia 05/09, na Federação.

"Nós, professores do CE 414 – SESI Vila Leopoldina, vimos por meio desta expor o nosso repúdio à atitude arbitrária e preocupante tomada pela direção do CAT, ocorrida na data de 15 de setembro (sexta-feira).

"Nessa ocasião, tivemos nosso cotidiano escolar interrompido pela presença de dois policiais civis armados (um deles com uma metralhadora) nos corredores do nosso colégio em pleno horário de aula do Ensino Médio, por volta das 17 horas. Tudo isso sob o suposto pretexto de coibir o problema do uso de entorpecente por parte de alguns alunos. O detalhe é que, em reunião realizada dias antes, os responsáveis por tais alunos haviam sido chamados pela direção da escola para serem comunicados de tais ocorrências. Até o momento da incursão, portanto, estava-se tentando uma saída pedagógica para a questão, como deve ocorrer num ambiente escolar.

"Ocorre que, de forma autoritária e sem nenhum aviso prévio por parte da direção da escola ou do CAT (Centro de Atividades), alunos, professores e funcionários presenciaram uma grotesca e irresponsável demonstração de força. Cenas como a que presenciamos só reproduzem o cotidiano de violência a que estamos submetidos todos os dias, vivendo numa metrópole como São Paulo e em nada colaboram para a criação de um ambiente de paz e tranquilidade que garanta o aprendizado dos alunos e uma relação saudável com o local onde estudam. No momento em que circulavam pela escola, empunhando armas, os policiais não eram acompanhados por nenhuma autoridade da escola ou do CAT. Vale dizer que a direção da escola também foi surpreendida por essa determinação arbitrária e vertical.

"Nossa preocupação reside, sobretudo, na preservação de uma relação de confiança entre alunos, professores, enfim, entre toda a comunidade escolar e, também, de um convívio harmônico para que o nosso trabalho possa ser produtivo e todos se sintam bem no ambiente em que estão. Ameaças, situações de constrangimento, invasão do espaço escolar por terceiros e todas as seguidas intercorrências que temos recebido como relato só prejudicam a escola e os que nela trabalham. O diálogo, prática que fundamenta o nosso trabalho, só perde com ações como a descrita acima e esse prejuízo nos traz profunda consternação e preocupação com o precedente que o autoritarismo na escola pode abrir. Essa, definitivamente, não é a mensagem que nós, como professores, pretendemos passar a nossos alunos. Mesmo porque, como educadores que somos, aprendemos que todos têm por direito a sua chance de melhorar como seres humanos, seja por meio do conhecimento, seja em razão das experiências acumuladas com as diferenças. Num contexto como o nosso, em que tentamos promover o distanciamento da violência comum às relações humanas, aprendemos no dia-a-dia que entre nós não há bandidos, proscritos ou incapazes. Há apenas alunos, professores e funcionários buscando o seu melhor."

Professores do CE 414 – SESI Vila Leopoldina

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