22 de setembro de 2018
 
 
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INCÊNDIO DO MUSEU NACIONAL

03/09/2018

CORAGEM, PELO
NOSSO FUTURO

Entre os documentos sob a guarda do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, estava a carta assinada pela regente do Império do Brasil em 1888, a princesa Isabel, enquanto seu pai, Dom Pedro II, viajava pela Europa. Era o decreto de 13 de maio daquele ano, que abolia a escravidão no país. Desse documento, agora, resta apenas uma foto. O original, queimado, desapareceu no incêndio da noite de domingo, dia 2.

Desapareceu também o fóssil carinhosamente chamado de Luzia, de uma pessoa que andou por aqui há pelo menos doze mil anos e ajudou a reescrever a história da ocupação das Américas pelos Sapiens. Foram queimadas a primeira edição de Os Lusíadas, de 1572, e a gramática do Padre Anchieta, de 1595. Com exceção do meteorito Bendengó, achado na Bahia em 1892, queimou tudo no prédio onde foi assinada a Independência do Brasil.

O incêndio queimou parte importante de nossa história, de nossa identidade nacional. A causa ainda não foi apurada, mas as evidências não deixam dúvida sobre o descaso recente sobre nosso patrimônio, sobre os bens que nos identificam como povo. Não havia dinheiro para cuidar do museu: os orçamentos federais foram congelados por vinte anos com a emenda constitucional 95 - a emenda do teto dos gastos públicos, de 2016 – apesar de todos os alertas emitidos sobre o prejuízo que a medida provocaria na nossa cultura, educação, saúde, segurança, infraestrutura. No futuro do Brasil.

Pouco ajudou, nesse cenário, a desorganização completa do estado do Rio de Janeiro, que abriga o que resta do Museu. Não havia água para apagar o fogo, na hora dramática.

Ao desânimo, somamos nossa indignação. Mas lembrando o poeta que resumiu em frase que a coragem é nada menos que a dignidade sob pressão, recomendamos, urgimos por ainda mais coragem. Por ainda mais resistência aos que tentam colocar o Brasil de joelhos, que desprezam seu povo em troca apenas da conveniência do lucro imediato.

Não iremos esquecer. Haverá futuro. Havemos de prevalecer.


 

Perda de acervo raro do Museu Nacional
afeta ciência e educação básica do país

(Folha de S. Paulo; 02/09)
https://bit.ly/2wEauMK

Neste domingo (2), o principal e mais antigo museu do país, o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, foi tomado por um incêndio de grandes proporções que pode ter destruído toda a coleção do prédio principal — incluindo fósseis, estudos, o acervo de invertebrados  (como borboletas e aranhas) e exemplares de múmias. Estima-se que, ao todo, 20 milhões de peças tenham sido perdidas.

A perda do acervo do Museu Nacional afeta o nosso desenvolvimento científico, ligado às universidades, e também afeta a educação básica do país.O problema é que estamos perdendo nossos raros espaços de ciências no país.

Descaso - Em 2010, um incêndio no Butantan, em São Paulo, queimou parte da coleção — incluindo uma amostra rara de serpentes. Cinco anos depois, o Museu da Língua Portuguesa, também em São Paulo, foi tomado por um incêndio — e deve ser reaberto em 2019 com tecnologia corta-fogo. Já o Museu do Ipiranga, também na capital paulista, ligado à USP, está fechado desde 2013 por risco de desabamento — e não tem previsão de reabertura.

Museu incendiado – O crime do século
(Nova News; 02/09)
https://bit.ly/2NLlu19

Resta registrar que um povo que renega sua história e sua cultura, está renegando o seu futuro. Não canso de dizer que sem investimentos em educação, ciências e tecnologia, seremos sempre coadjuvantes no mundo globalizado.

‘Tragédia sem precedentes’
(ADUFABC; 02/09)
https://bit.ly/2NItRuA

Nota da Associação dos Docentes da UFABC (ADUFABC) sobre o incêndio no Museu Nacional: “O incêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro é uma tragédia sem precedentes para a ciência brasileira. Fundado em 1808, o Museu Nacional comemora, em 2018, seu bicentenário. Com uma das coleções mais importantes do mundo, o Museu é uma referência internacional em pesquisa em ciências humanas e naturais. Este incêndio representa uma perda de anos de pesquisa e investimento, por falta absoluta de verbas de conservação. Precisamos dar um basta nisso. Como comunidade científica e cidadãos brasileiros, precisamos reagir imediatamente contra o projeto de destruição do país atualmente em curso. O descaso absoluto do atual governo com a ciência brasileira contribui, decisivamente, para tragédias como essa”.

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