21 de outubro de 2018
 
 
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Dia do Professor: os filmes

09/10/2018

DIA DO PROFESSOR:
FILMES E SÉRIES PARA
SE DIVERTIR E REFLETIR

Na TV ou no cinema, o professor tem sido uma rica fonte de inspiração para filmes e séries que buscam compreender como é a missão que encanta tantos profissionais na formação dos mais jovens.

Neste roteiro, indicamos mais de uma dezena de filmes e séries que discutem, divertem e nos ajudam a pensar sobre a vida da professora e do professor neste período em que destacamos este Dia do Professor.

Veja nossas indicações:

 

Preciosa

Harlem, Nova York, 1987. O filme conta a dramática história de Claireece “Precious” Jones: aos 16 anos, grávida pela segunda vez de seu próprio pai, a garota sofre agressões físicas e psicológicas diárias da mãe, é vítima de bullying devido ao peso na escola e, ainda, não sabe ler e nem escrever. Expulsa da escola por conta da gravidez, Claireece consegue vaga em uma instituição alternativa, e encontra a professora Rain. Então, pela primeira vez, Preciosa experimenta um pouco de afeto, tratamento humanizado e como é “fazer amigos”. O mito de que o ambiente familiar é intocável no que concerne à formação moral e cívica do indivíduo é questionado, com as interferências da professora diante dos absurdos sofridos pela garota. Discute-se os limites de atuação e negligência das escolas de massas nos locais domésticos de violência, e se vislumbra a possibilidade de recuperação por parte de agentes externos e preocupados, como os professores que se engajam.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=LY9GCzqGNmI

 

 

Sociedade dos Poetas Mortos:

John Keating é um professor de Literatura na conservadora Academia Welton – conhecida pela formação de excelência de jovens norte-americanos em profissões mais tradicionais e aceitas socialmente por seus pais, já bem-sucedidos, como Medicina ou Direito. Através da poesia, o docente restaura o lúdico no pensamento dos alunos, estimula a capacidade crítica e a autonomia – faculdades tão afetadas pelas amarras do mecanicismo pedagógico em 1959. Liberta-os do embrutecimento de uma só possibilidade de vida. No decorrer do filme, alguns garotos começam um clube secreto, onde leem poesia, dramatizam performances tétricas e divagam sobre seus amores; nasce a Sociedade dos Poetas Mortos, propriamente. Belíssimo, o filme é repleto de referências às obras clássicas, pauta o exercício docente como gênese da emancipação cidadã, e é um marco para a filosofia cinemática que encena o novo.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=EXw77BkVqyA

 

O sorriso de Monalisa

Outra obra que se passa nos anos de 1950, O Sorriso de Monalisa conta a história de Katherine Watson – uma jovem professora de Artes – quando é contratada por uma escola conservadora, feita só para mulheres. Lá, ministram aulas de oratória, postura e cursos para aprender a cruzar e descruzar as pernas. Na trama, uma enfermeira é expulsa simplesmente por dar um método contraceptivo a uma aluna, sob a desculpa de que a estava induzindo à “promiscuidade”. Há, na primeira camada do filme, a discussão sobre o papel performático da mulher na sociedade estadunidense, refém das relações de mãe e esposa; todavia, mais sentidos se abrem conforme adentramos a narrativa, um quase exercício de futurologia sobre o que feminismo chegaria na atualidade, através de uma analogia sutil entre o papel da mulher e o conceito de obra de arte.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=OQOl06lchN4

 

A voz do coração

Um compositor sem reconhecimento possui uma grande sensibilidade para ensinar, é capaz de perceber as potencialidades de seus alunos. Quando é contratado por um orfanato para ser professor e inspetor, Clément Mathieu comove-se com as subtramas das crianças esquecidas, rotuladas de “casos perdidos”. Se algum dos garotos comete algum ato considerado ruim, é obrigado a trabalhar na limpeza, apanha ou fica um tempo na solitária; a conjuntura simboliza um presídio. Clément então monta um coral com o propósito de resgatá-los; o uso da música, como um atalho, conota a formação de um diálogo entre o professor e os meninos. O filme francês coloca em discussão os conceitos de disciplina, punição, medo no fazer pedagógico, e conduz o espectador magistralmente com uma linda trilha sonora.

Linl: https://gloria.tv/video/zDHbFkCEsk4b4jDU43ktHqbf8

 

Escritores da Liberdade

Baseado nos acontecimentos de The Freedom Writers Diaries (best-seller), o filme é de agosto de 2007, e foi sucesso de crítica e público assim que chegou aos cinemas. Erin Gruwell é uma professora recém-formada – o que nos sugere uma utilização desta imagem de jovem profissional para remeter ao amor ainda idealista, esperançoso e capaz de mover o mundo com ações – e dá aulas para o primeiro ano do Ensino Médio de uma escola periférica na Califórnia; Inglês e Literatura. Seus alunos são desobedientes e desmotivados, filhos de famílias desestruturadas. A história apetece por levantar questionamentos quanto à necessidade de criação de vínculos sociais entre grupos distintos, até barreiras étnicas, e esse dever, uma espécie de instinto mediador com resultante na coesão e tolerância social, é um dos mais importantes papeis do pedagogo em sala de aula.

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=pfwzLDj0yzM

 

O Substituto

“Alguns de nós acreditamos que podemos fazer a diferença”, diz Henry Barthes, professor-protagonista do filme francês, em determinado momento. Mas não é assim que começa. Há um problema de tradução, pois no original, a palavra inglesa “detachment” traduz-se como “desapego” ou “distanciamento”, mas também “indiferença”. O mote é interessante e tem referências do pensamento filosófico-literário do existencialismo de Camus: um professor que somente faz substituições, sem nunca assumir de fato uma vaga fixamente, é chamado uma escola em estado de abandono total. Por parte dos outros docentes distanciados e sem apego à profissão; estudantes sem esperança quanto à vida, à validade da instituição escolar; e pais omissos, ausentes das tarefas de monitoria das atividades de seus filhos. O giro no enredo acontece quando Henry se vê em situações na vida de seus alunos em que distanciar-se, como sempre fez, se aproximaria de negligência; como professor é possível interferir.  

Link: https://www.youtube.com/watch?v=Q56IneXPCVk   

 

Anne

A série da Netflix é uma adaptação do antigo best-seller de 1908 “Anne of Green Gables”, de Lucy Maud Montgomery. Clássico da literatura canadense, a história da pequena protagonista cruza com a história de vida da autora; ambas falam sobre o poder da imaginação na mente de uma criança privada de saúde social, deslocada de seu lugar de origem e forçada à adaptação dificultosa em novas terras. A rotina de Anne na escola nos convida a olhar pelos olhos de uma pequena garota frente às adversidades sedimentadas no mundo adulto e que escorrem para a dimensão infantil, pensar sobre o bullying, preconceito de classe e feminismo, temas atuais e necessários para discutir o convívio extra e intra-escolar.      

Trailer (Netflix): https://www.youtube.com/watch?v=bBervTlBurY

 

O Começo da Vida

Descobertas recentes na ciência emaranharam o datado contraste ambiente x genética além da percepção polar. Neste documentário, foram colhidas entrevistas com especialistas em psicologia infantil e pedagogia, com imagens intercaladas de pais e crianças de nove países e quatro continentes. O longa-metragem começa destacando o papel de importância que o ambiente exerce nos primeiros anos dos recém-nascidos – a primeira infância, o quão acolhedora essa chegada ao mundo deve ser. Todavia, o ponto é que a natureza humana é medial, um ser que só se dá a partir do Outro, ser de relações; o relacionamento com a brincadeira, com os pais, com as histórias lúdicas. O posto do adulto, seja dos pais, pedagogos ou qualquer um que esteja na vida do recém-nascido, é garantir que sua vinda aconteça de maneira acolhedora para o pleno desenvolvimento emocional e cognitivo.

Série, Netflix: https://www.netflix.com/br/title/80107990

 

A Máscara em que você vive

Disponível na Netflix, este documentário indaga sobre o que é a Masculinidade, e o porque da construção atual do conceito estar intimamente ligada ao machismo, violência, uso de drogas e suicídio. A grande pergunta por trás, aos poucos, vai tomando forma conforme o longa avança: “O que é ser homem, afinal? ”. Um professor de escola pública ensaia resposta ao reunir oito de seus alunos, todos meninos entre 13 e 16 anos, para que usassem máscaras de papel. Então cada um escreveria as próprias impressões que tem de si: o que acreditam transmitir aos outros e o que escondem.    

Link: https://www.youtube.com/watch?v=I1OI9B0VSlA 

 

Escola de Rock

Tudo bem, nem todos os filmes são feitos com grandes mensagens por trás, com grandes projetos discursivos. Alguns apenas desejam divertir, como é o caso de Escola de Rock. Sem dinheiro para pagar o aluguel, após ser expulso de sua banda, um guitarrista decide se passar por professor de música substituto em uma escola primária. Se no começo, Finn, o “professor” procrastina as aulas, ao perceber que seus alunos têm acuidade e proficiência com os instrumentos, decide ensinar rock’ n’ roll, de olho no concurso de bandas da cidade. O que acontece é a descoberta, por parte do protagonista, sobre ensinar música como paixão.

Link (Netflix): https://www.netflix.com/br/title/60031226

 

Entre os muros da escola

Apesar de ser um filme que retrata uma turma de alunos periféricos na França, encaixa bem na realidade de nossas instituições de ensino brasileiras. Escolas públicas tratadas com descaso e falta de verba, violência dentro da sala de aula e hostilidade com o docente são alguns pontos de semelhança. François Marin é o professor que lida com toda a gama de dificuldades postas entre ele e os alunos. O filme nos põe a pensar como a dinâmica do ensino é influenciada pelas interjeições de uma vida difícil, como há aspectos multifatoriais na aprendizagem dos alunos, e as medidas que um pedagogo deve superar para alcança-los.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=rBXlPg7nj-Y

 

 

Mr. Holland – Adorável Professor

Holland almeja o estrelato através da música, como maestro. Quando passa por dificuldades financeiras, planeja trabalhar como professor por apenas quatro anos. Aos poucos, ao contrário do que pensou inicialmente, começa a se interessar pelas idiossincrasias de cada aluno, de modo que desenvolve uma didática baseada nos gostos musicais particulares. Este filme mostra a luta de um professor no processo de inclusão e construção de identidade cidadã para os garotas e garotas; e também o quão gratificante pode ser para um professor estar eternamente presente na memória de um aluno.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=hyHmZ8ZhH6s

 

A Onda

Um professor deve lecionar sobre política, especificamente autocracia – um sistema em que o governante detém o poder de maneira central. Decide, então, apresentar na prática como uma ditadura se concretiza na população: cria uma experiência de fascismo na própria turma. O Nazismo é, hoje, assim tão distante; aprendemos com todos os nossos erros históricos enquanto humanidade ou a vida é um constante exercício de memória coletiva? São alguns dos pontos abordados pelo filme. Durante o processo, os alunos se sentem cada vez mais impactados, e toda a gama de suas relações passa por um profundo deslocamento. A didática do filme revela a sedução da ideologia fascista e discute a noção de pertencimento em determinados grupos sociais extremistas e violentos.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=QBKEi8qamKM

 

Merlí

Série catalã que alcançou sucesso através da Netflix, conta a história de um professor de filosofia que tenta, através da didática do divertimento, demonstrar como o estudo filosófico pode ser apaixonante quando apresentado fora do esquadro comum de ensino. É uma ótima série para discutir como a matéria é vista com defasagem atualmente, porque o filósofo é considerado como improdutivo numa sociedade de fórmulas prontas de raciocínio. Foucault, Butler, Descartes, e inúmeros outros pensadores modernos e contemporâneos são citados nos episódios. Mesmo os não iniciados, mas que se interessam pelo tema, se sentirão seduzidos pela série.

Netflix: https://www.netflix.com/br/title/80134797

 

 

 

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