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“É preciso pensar que modelo queremos para a educação”, afirma professor de direito da FGV/SP

24/11/2016

Em levantamento realizado pelo Observatório do Ensino do Direito da Fundação Getúlio Vargas, pesquisadores da escola de Direito da FGV constataram a grande concentração - e uniformização - do ensino superior privado no Brasil, Em entrevista ao programa ‘Sala de Professores’, da TV Fepesp, o professor José Garcez Ghirardi discute os efeitos dessa concentração  e o modelo de educação dela decorrente.

Educação é uma questão central para a consolidação da democracia no país”, diz Ghirardi. Desde a redemocratização do país, a partir de 1985, “houve um movimento para incluir mais pessoas no ensino superior, porque era uma porcentagem pífia da população que tinha acesso” Mas, pensa o professor,  a ação dos governos que aumentaram a oferta do ensino superior e abriram créditos para as grandes instituições que cresceram incentivadas por recursos públicos  “geraram um cenário de grupos educacionais poderosos que têm abarcado muitos alunos e coloca em questão o modelo queremos para a educação”, disse.
 

O programa ‘Sala de Professores’ com o tema ‘Ensino Superior: Um grade negocio’ pode ser assistido aqui:http://bit.ly/2guAXWq .O programa, conduzido por Celso Napolitano, presidente da Federação dos Professores do Estado de São Paulo-Fepesp. contou com a participação de Walter Alves, presidente do Sindicato dos Professores de Santos.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) colhidos entre 2010 e 2014 reforçam o argumento de Ghirardi: “O ensino superior cresceu 22,7% e o ensino público superior cerca 19,7% nesse período, mas as universidades que não pertencem aos grandes grupos recuaram em 7,5%. Enquanto isso, as instituições que têm capital aberto cresceram 162%. Isso significa que mais ou menos 30% dos alunos estão fazendo a formação nos grandes grupos”, sustentou.
 

Usando números da Lei da Transparência, que garante acesso aos cidadãos para os gastos públicos, o professor também cita o crescimento do Fies. Em 2010, dos 880 milhões destinados ao Fies, 2 milhões e 400 foram para os grandes grupos, o que representa 0,28% do montante. Já de 2013 para 2014 o valor quase dobrou: foi de 7,5 bilhões para 14 bilhões” .  

Diante dos dados, o professor Walter Alves questiona quais foram as contrapartidas que os grandes grupos ofereceram para receber incentivos: “esses grupos cresceram,  principalmente, de incentivos governamentais, do tipo Fies, ProUni, um número considerável de recursos públicos foram para essas instituições privadas. Qual foi a contrapartida que deram? O que ofereceram em troca?  É esse nosso projeto de nação?”, indaga o dirigente sindical.
 

Para o professor da FGV, essa questão é importante. Para ele, é preciso olhar o ganho em escala dessas universidades, que vem gerando um ensino homogêneo de norte a sul, a questão simbólica da importância dada a quem tem um diploma no Brasil e o custo para se abrir universidades públicas são algumas das razões que explicam o crescimento e o investimento nesses grandes grupos.   

“Precisamos repensar para a educação como vamos articular as relações entre Estado e setor privado, o que significa o Estado fornecer educação ou fornecer acesso à educação; quais são os mecanismos e para onde queremos que os recursos irão, porque isso é estratégico.  A gente consegue construir um estádio, uma ponte em dois anos mas não constrói uma geração que pensa em dois anos. É pra esses brasileiros que ainda não nasceram que a gente está pensando hoje”, finalizou Ghirardi.
 
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