20 de outubro de 2017
 
 
Enviar por email
RSS
Imprimir

Brasil de 2017: Desordem e retrocesso

12/09/2017

Por João Guilherme Vargas Netto (*)

Um dos mais ativos organizadores da proclamação da República foi o grupo dos positivistas. Influíram na conspiração republicana, influíram na composição do novo governo e influíram nas ideias e símbolos mobilizadores.

Desenharam a nova bandeira do Brasil mantendo as duas cores imperiais (o verde e o amarelo) e acrescentando na faixa central os dizeres: Ordem e Progresso, depois de autorizados pela Igreja Positivista a eliminar o primeiro dos conceitos-síntese da seita, o Amor. O golpe republicano seria uma medida tática que aplicada abriria caminho para a plena realização da utopia positivista, com a tríade Amor, Ordem e Progresso.

Ficamos, pois com a bandeira onde se inscreve o lema positivista incompleto, mas taxativo.

Atualmente, dada à situação nacional, estou inclinado a sugerir que querem substituir o positivismo da Ordem e Progresso pelo negativismo de um novo lema: Desordem e Retrocesso.

É o que estamos vivendo e testemunhando com a tentativa de desmanche das relações do trabalho e dos sindicatos, misturado com muitas outras agressões à soberania nacional, ao meio ambiente, à vontade popular e ao direito.

A artificialidade do impeachment e a grosseria na aplicação acelerada das deformas criam uma situação em que a passividade geral se completa com espasmos periódicos que alimentam as mídias e reforçam em todos o descrédito na política.

As próprias eleições de 2018 passam a ficar sob o risco de serem desfiguradas e pervertidas.

O movimento sindical dos trabalhadores, um dos poucos a sofrer as agressões e procurar responder a elas com unidade, mobilização e eficácia, lutando por garantir direitos e avançar para a retomada do crescimento econômico, merece atenção e convoca apoios.

É importante destacar que hoje, segunda-feira, dia 11, três dos maiores jornais brasileiros publicam grandes matérias que dizem respeito à ação sindical e a seus resultados.

A pauta fundamental dos sindicatos não é apenas a pauta de sua sobrevivência, o que já seria muito. É a pauta para eliminar a desordem e barrar o retrocesso, revalidando os dizeres tradicionais de nossa bandeira. 

(*) João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical, é membro do corpo técnico do DIAP.

Comentários
0 comentário(s)

Comentar

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
CAPTCHA
Insira os caracteres abaixo